Obra de engenharia suspende capela do antigo hospital Matarazzo a 31 metros de altura

Um delicado projeto de engenharia executado nos últimos nove meses conseguiu deixar suspensa, a uma altura de 31 metros, uma capela de 1.200 toneladas do antigo Hospital Matarazzo, a uma quadra da Av. Paulista, na região central de São Paulo. A operação, foi projetada para proteger a estrutura da igreja de Santa Luzia durante as obras do futuro complexo Cidade Matarazzo.

santa luzia

Igreja de Santa Luzia – Inaugurada em 1922 pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Bianchi e tombada pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico).

De acordo com o engenheiro Maurício Bianchi, responsável pela obra no complexo Matarazzo, foi necessário manter a capela suspensa para aproveitar ao máximo o terreno de 27 mil m². Ele explica que várias partes do antigo hospital são protegidas pelo patrimônio histórico, o que obriga o aproveitamento máximo de cada centímetro.

Para evitar qualquer rachadura, a escavação das colunas não foi feita com bate-estacas, mas sim com uma perfuratriz de baixa percussão, da maneira mais lenta possível.

Questionado sobre os eventuais prejuízos que a operação causou ao prédio, Bianchi é categórico: “O resultado é impecável. Apesar da estrutura de tijolos antigos, não houve absolutamente nenhum dano” e ainda “Tomamos uma série de precauções, entre elas colocar um copo d’água no peitoril da capela, para que uma pessoa ficasse olhando se havia transmissão de vibração durante a demolição. Esse copo ficou famoso aqui”.

Abaixo da capela, serão construídos oito subsolos. Esse espaço irá abrigar uma área de desembarque de passageiros, bicicletário, um cinema com 108 lugares e seis andares de estacionamento, com 1.515 vagas no total.

Detalhes do procedimento

O procedimento que estacionou a capela de Santa Luzia no topo da estrutura de concreto, enquanto escavações removiam o solo abaixo dela, é parte de uma técnica pioneira no Brasil, prevista no projeto assinado pelos engenheiros Mario Franco e Carlos Eduardo Moreira Maffei. A previsão para a conclusão da escavação e da construção das estruturas abaixo da capela é setembro de 2018. Ao final, a obra terá custado cerca de 5 milhões de reais.

O primeiro passo para o trabalho foi a demolição de um prédio de quatro andares que ficava à frente da igreja, em setembro de 2016. Já sem o edifício por ali, e ainda antes de iniciar a escavação sob a capela, a área a ser escavada foi isolada com contenções de concreto, construídas a 31 metros de profundidade, para evitar movimentações de terra ao redor da obra.

imagem 1

A seguir foi realizada a construção das oito estacas, com 54 metros de profundidade e 1 metro de diâmetro que compõem a nova fundação da capela e suportam suas 1.075 toneladas. As estacas foram preenchidas com 43 m³ de concreto cada, processo que levou cinco dias de trabalho.

esquema pilares

Vista frontal do esquema de pilares – Cada pilar suporta 500 toneladas.

Em seguida, o piso da capela foi demolido – a parte original do assoalho, de mármore, que lá estava desde 1922, foi catalogada, armazenada e será reposta depois do fim da obra. O altar, também de mármore, continua na capela durante a obra e ganhou uma base extra de sustentação para evitar trincas.

piso demolido

Concluída a etapa do piso da igreja, foi feita uma escavação em volta da capela, até que ficassem totalmente aparentes a sua fundação original de 1,5 metro abaixo do solo, e as extremidades das oito estacas.

furos fundação capela

No próximo passo, os engenheiros fizeram sete “furos” em cada lado da fundação original da capela e passaram através de cada um deles, horizontalmente, no nível do piso da edificação, vigas de concreto. As sete vigas abaixo da capela estão apoiadas nas estacas da nova fundação e têm entre si vigas menores.

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A seguir, preencheu-se com concreto o espaço entre as vigas formando a laje, que passaria a sustentar a capela:

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Abaixo da nova plataforma de concreto, restava ainda um pedaço da fundação original da capela, ainda apoiado diretamente no solo. Para “descolar” a antiga base da capela do solo e deixá-la apoiada somente sobre a nova estrutura, sem, no entanto, causar-lhe danos utilizou-se o processo conhecido como hidrojateamento, que consiste num jato de água de alta pressão, para tirar cerca de 7 centímetros de terra sob a fundação original.

hidrojateamento

Hidrojateamento 

Já sem contato com o chão, a capela passou a se apoiar somente na laje de concreto, sustentada, por sua vez, pelas oito estacas de 54 metros de profundidade. Depois da estabilização da capela de Santa Luzia sobre a estrutura de concreto armado, passou-se a utilizar escavadeiras, muito menos delicadas que o jato de água, para retirar a terra dali em diante.

Foram escavados 31 metros e concluídas outras duas lajes. Uma terceira está em construção e haverá, ainda, uma quarta. Em seguida, de baixo para cima, entre as lajes construídas, serão feitas outras três, que completarão, enfim, os oito andares.

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Para concluir a escavação dentro do prazo esperado, até setembro, quatro retroescavadeiras trabalham dez horas por dia no local, entre 8h e 18h. Apenas na região da capela e da futura torre de escritórios, foram retirados 100.000 metros cúbicos de terra, dos quais 25% ainda serão removidos. A previsão é que toda a obra do complexo Matarazzo seja concluída em 2019.

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Fonte

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