O País de Ontem

Em uma situação onde se orça um empreendimento em duas empresas e a única diferença é que uma irá entregar o projeto a ser executado em três meses e a outra em um ano, qual a sua resposta? É compreensível que grande parte das pessoas entendam que um retorno mais rápido resulta, também, em um lucro mais rápido, porém, essa não é uma verdade absoluta. No país onde se quer as coisas “para ontem”, há 8,2 mil obras paradas, segundo estudo realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

hospital-regional-fernandoFoto da obra parada no Hospital Regional de Juiz de Fora

Ao entender que um maior tempo gasto na fase de planejamento do empreendimento não é, necessariamente, prejuízo, resta saber quais os benefícios, caso o tempo seja bem utilizado. Quando se gasta mais tempo estudando o empreendimento e possíveis problemas que possam vir a acontecer, já programando suas respectivas intervenções, a possibilidade de interromper a obra por gastos inesperados diminui significativamente, e a forma de lidar com infortúnios também se faz diferenciada.

O Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão) teve sua execução iniciada em 1959, com um orçamento inicial de cerca de R$3.000.000,00 (convertido para real) e demorou seis anos para poder ser utilizado pela população. Isso aconteceu devido a complicações já nos primeiros serviços de fundação, fazendo com que a obra seguisse em ritmo lento, com equipamento reduzido e com serviços mínimos indispensáveis. Após vários problemas e mais investimento do governo, a obra foi finalizada em 1965 com um custo final de R$670.000.000,00. Já o Hotel Ark, em Changsha (China), com 15 pavimentos, foi construído em seis dias em 2012, sendo considerado, também, um edifício sustentável, uma vez que os resíduos foram 1% da massa do prédio, além de suportar abalos sísmicos até o grau 9, ter isolamento térmico e acústico. Na Califórnia (EUA), a manutenção da ponte Bay Bridge, situação que demandou a demolição, reconstrução, e pintura de um trecho da ponte foi projetada por cerca de 2 anos, e executada em um total de 3 dias.

edificio-modular-pre-fabricadoFoto da construção do Hotel Ark (Changsha, China)

A diferença gritante do tempo de obra entre o Brasil e os outros países citados é resultado de planejamentos completamente desiguais. O momento atual mundial requer tecnologia atrelada ao conhecimento de forma a minimizar o custo, maximizar o lucro, da melhor forma em menor tempo. Ferramentas como o BIM (Building Information Model) trazem modernidade e dinâmica. A possibilidade de verificar o projeto final em 3D virtualmente, como é feito utilizando essa metodologia, pode acelerar o tempo de obra, motivar os colaboradores do empreendimento, identificar possíveis contratempos e como solucioná-los da melhor forma, enxergar a conexão entre as instalações hidráulicas e elétricas, diminuir resíduos de obra, entre outros benefícios. Países como China e Estados Unidos são obrigados a entregar seu projeto final para verificação na plataforma BIM, o que incentiva um estudo minucioso dos empreendimentos,  facilita a visualização de problemas por meio do governo, além do estímulo da utilização do programa, que é fundamental.

Os impactos oferecidos por um planejamento circunstanciado compensa o início da execução antecipada. A consciência dessa afirmação é uma característica de países desenvolvidos na área da construção civil, e existe, portanto, uma grande necessidade dos engenheiros, principalmente brasileiros, modernizarem suas tecnologias, métodos e, também, seus pensamentos.

Fonte: Sienge, Engiobra, Wikipédia.

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