Com Ciência Negra

Dia 20 de novembro é o dia nacional da consciência negra. Com o objetivo de trazer a reflexão sobre a importância do povo e da cultura africana no Brasil essa data homenageia Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. A  proximidade histórica e temporária do fim período escravocrata e a análise do cenário científico e tecnológico atual do país, expõe a baixa e/ou ausência de representantes negros na produção destes.

Mediante isto, o PET Civil da UFJF idealizou e promoveu o evento “Com ciência negra”. O principal objetivo foi à promoção de uma discussão sobre as barreiras e empecilhos que a população negra do Brasil se depara para ingressar nas universidades e se manterem nos meios científicos acadêmicos, que poderiam promovê-los enquanto produtores de ciência e tecnologia, devido ao racismo institucional e estrutural compilados no país apoiados sobre o arranjo da história social e econômica que se deu no mesmo.

Foto de Vitória Araújo (1)

Imagem 1: Arte utilizada na divulgação do evento.

A ideia surgiu após XVII  InterPET/GET, que ocorreu na faculdade de Engenharia da  UFJF. Dentre as atividades propostas no evento teve um momento no qual os integrantes dos grupos se dividiram em alguns núcleos para debaterem melhorias e mudanças para o programa; um dos núcleos foi o GDT Diversidade que ressaltou a obrigatoriedade da implementação de cotas nos processos seletivos a partir do ano letivo de 2019 e, em cima dessa exigência, definida no congresso nacional (ENAPET), debatemos as  dificuldades que teríamos tanto na aceitação da pertinência deste programa pelos integrantes dos grupos quanto na fiscalização das possíveis fraudes que poderiam ocorrer. Portanto, viu-se a necessidade de abordar as questões raciais não somente dentro dos grupos mas em toda extensão da universidade, principalmente na engenharia, que é um espaço hostil e deficiente destes debates e conversas, para que através da conscientização obtivéssemos suportes para enfrentarmos as dificuldades pautadas.

O evento promovido pelo PET Civil foi aberto a toda extensão acadêmica da UFJF e ao público externo. Realizou-se no Anfiteatro Christiano Degwert na faculdade de Engenharia da UFJF, ao lado da cantina.  O objetivo de trazer à discussão os porquês da ausência da população negra nos espaços científicos e a difusão da importância das cotas raciais, através dos relatos das vivências e mestria de cada um que compôs a mesa, foi atingido.

Iniciou-se o evento, às 18 horas,  com um vídeo emocionante e comovente que apresentou ícones de luta e resistência que marcaram não somente a história mas toda a trajetória  da população negra em busca dos seus direitos. Em seguida, nossa oradora Diana Rubim deu uma introdução ao assunto, que seria abordado no evento, com a leitura de um texto representativo sobre as mazelas do racismo exemplificando-as com situações do cotidiano vivenciado pelo negro. Como continuidade, tivemos uma  apresentação do coletivo Vozes da Rua com a participação de Andressa Carvalho, Jô Brandão e Markin  que abrilhantaram o palco com as ilustres recitação de poesias nas quais relatam as vivências de jovens negros, periféricos e suas lutas diárias para conquistarem o básico e tentarem garantir a sobrevivência em uma sociedade excludente que apoiam seu preconceito na falsa “meritocracia”. Continuando a programação, deu-se início a mesa redonda “Com ciência negra”. Para a composição da mesa foram selecionadas pessoas negras que possuem vivências diferentes mas compartilham do pensamento de que devemos continuar o legado de luta para que negros possam ocupar e conquistar seus espaços. Giovana Castro, Doutora em História (UFRJ), não poderia deixar de ser convidada, pois além de ser referência para muitos, principalmente negros, sua vivência e todo seu conhecimento teórico agregaria muito ao evento. Zélia Ludwig, Docente do departamento de Física (UFJF), uma das poucas professoras negras no campus e responsável pela propagação  da ciência, contribui mostrando sua trajetória acadêmica e as entraves que se deparou para conquistar este espaço. Adenilde Petrina, Doutora Honoris Causa (UFJF), membra do coletivo Vozes da Rua, não poderia faltar à mesa para compartilhar toda sua bagagem de luta, resistência, força e trabalho excepcional realizado com os jovens do bairro Santa Cândida ( bairro periférico da cidade de Juiz de Fora) mudando a realidade de muitos deles. Fernanda Ferreira, Discente em Engenharia Civil (UFJF), apresentou sua história e os desafios enfrentados até chegar à universidade e também abordou sua superação ao conquistar este espaço tão sonhado. E Diego Miranda, Discente em Engenharia Civil (UFJF), também apresentou sua trajetória até chegar a universidade e ressaltou a importância que sua família, composta por negros que haviam acessado o ensino superior e reforçaram o poder transformador da educação em suas vidas, teve nesta conquista. Cada um contribuiu com suas falas e experiências com muita dedicação para o público ali presente, além de representarem e retrataram a vida de muitos negros da nossa sociedade.

Foto de Vitória Araújo

Imagem 2: Composição da mesa redonda do evento

A presença de discentes e docentes promoveu uma reflexão rica e completa sobre a situação tanto no âmbito micro (faculdade de engenharia) quanto no macro (sociedade), fazendo com que coletivos negros de outras graduações, presentes no evento, se propusessem a fazer uma parceria com o PET Civil para que o assunto continue sendo debatido no espaço e a conscientização dos alunos se dê de forma gradual. Foi tudo intenso, emocionante e simplesmente um sucesso, surpreendendo as expectativas de todos.

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Imagem 3: Ilustração da representatividade 

O PET Civil deseja que os caminhos sejam facilitados e os acessos igualados para que toda população negra possa viver de forma digna e feliz, mesmo carregando toda dor do preconceito, racismo e exclusão.

PS: Minha história, a história do meu povo, foi construída em cima de muita luta, dor e resistência. Não se deve repensá-la apenas em um mês, pois vivemos além de novembro e deparamos com os resquícios dessa história todos os dias de nossas vidas.

Ass: Vitória Araújo, Discente em Engenharia Civil (UFJF), integrante do grupo PET Civil, condutora da mesa redonda e, acima de tudo, mulher e negra.

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