Como melhorar a relação entre a engenharia civil brasileira e o meio ambiente?

Para que um empreendimento seja sustentável é necessário que seja socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente correto, porém não é o que se vê em grande parte dos projetos atuais.

tripe_sustentabilidade_3

Figura 1: Representação da tríade sustentável

Em diversas situações, antigas ou recentes, pode ser percebido um grande apreço ao economicamente viável, enquanto o bem-estar social e a valorização do meio ambiente ficam em segundo plano. Isso é visível tanto no desmatamento em massa da mata atlântica, chegando nos índices de 12,5% da vegetação original, quanto nas recentes catástrofes do rompimento das barragens de rejeitos de Mariana e Brumadinho, que devastaram essas cidades e a vegetação no entorno, prejudicou mais de dez municípios, contaminou o rio Paraopeba e o rio Doce, inviabilizou a distribuição de água em dois estados diferentes e fez centenas de vítimas.

WhatsApp Image 2019-03-02 at 17.51.24

Figura 2: Cidadão da cidade de brumadinho observando a situação atual da cidade

Houve um momento em que não havia preocupações com índices sobre o meio ambiente e o impacto dos empreendimentos na natureza. O momento que vivemos não é esse. O momento atual é de preocupação com os recursos da terra, que não são renováveis, e é de extrema importância colocar em prática o triângulo da sustentabilidade. É possível e necessário fazer com que o economicamente viável não prejudique ambientalmente correto, trazendo o bem-estar social.

cingapura

Figura 3: Jardim da Baía, Singapura, também conhecido como “Bosque futurista”

Para que isso aconteça é necessário anos de estudo, incentivo e mudança na mentalidade das grandes empresas; todavia, existem algumas alternativas que não são muito conhecidas e se tornam muito interessantes dentro do contexto de sustentabilidade em grandes obras. São elas:

  • Utilização de biossólidos na fabricação de tijolos:

No Brasil, o remanejamento dos biossólidos após o tratamento de água traz um gasto de cerca de 50% do dinheiro predestinado à estações de esgoto, e geralmente são colocados em um aterro sanitário. O engenheiro civil australiano Abbas Mohajerani criou uma solução para isso: ele conseguiu substituir a argila utilizada nos tijolos por biossólidos que seriam descartados. Como exposto em seu artigo “Possible Use of Biossolids in Fired-Clay Bricks”, a argila e os biossólidos mostraram propriedades parecidas, tornando viável a fabricação dos mesmos. Apesar do que é utilizado na fabricação do tijolo, seu cheiro e textura são similares a um tijolo cerâmico padrão.

  • Utilização de cigarro na fabricação de tijolos:

Nas áreas urbanas e litorâneas brasileiras, bitucas de cigarro podem representar 40% dos resíduos recolhidos. Abbas Mohajerani também provou ser possível a utilização desses na fabricação de tijolos. Além de ter eficiência comprovada, é possível reduzir a poluição na fabricação desses tijolos.

  • Reutilização de rejeitos de minério:

Duas barragens de rejeitos foram rompidas em Minas Gerais nos últimos cinco anos, destruindo as cidades onde eram situadas e trazendo demais prejuízos já abordados acima. Pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) conseguiram reutilizar os rejeitos de minério encontrados em Mariana na fabricação de tijolos, onde o rejeito devidamente separado e tratado pode substituir até 80% dos agregados sem prejudicar seu desempenho. Atualmente é estudado sua aplicação em estradas.

Existem diversas alternativas para a reciclagem que são viáveis e que auxiliam o meio ambiente, no entanto, é necessário lembrar que dentro de cada canteiro de obra deve ser incentivado a não geração de resíduos e o reuso à reciclagem, como recomendado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Por dia, o Brasil gera mais de 120 toneladas de resíduos de construção, e a construção civil gasta cerca de 21% de toda a água tratada do planeta. Por isso, é importante lembrar que a sustentabilidade também está em pequenas decisões dentro da obra, seja colocando em prática uma construção enxuta, reutilizando água da chuva ou reusando madeiras de molde de pilastras.

Fontes: Governo do Brasil, Engenharia É, Terra, Envolverde, AECWeb, Minas Faz Ciência

 

Anúncios
Postado em Sem categoria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s