Um País Unimodal

 

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Visando a análise de transporte de cargas e pessoas, o Brasil pode ser considerado um país que possui um modelo unimodal, ou seja, a predominância de um único sistema de transporte em detrimento dos demais. A utilização desse modelo pode acarretar  problemas logísticos e econômicos para qualquer país, que podem ser agravados em países com grande extensão territorial como é o caso do Brasil.

A paralisação dos caminhoneiros em maio de 2018, gerou grande impacto na economia brasileira, como o aumento do preço de combustíveis, falta de estoque de alimentos nos supermercados, expondo um país que estava a beira de um colapso. Essa greve incitou alguns questionamentos sobre como a economia brasileira se tornou refém de uma classe trabalhadora, e oque fazer para mudar essa situação.

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Imagem da greve de caminhoneiros em 05/2018

A malha rodoviária, hoje, é responsável por volta de 75% do escoamento de toda a produção brasileira, demonstrando uma disparidade exorbitante em relação aos demais modais ( ferroviária, hidroviária, marítima, aérea e etc.), isso ocorre devido a um fator histórico-político ocorrido em 1950, no qual o então presidente Juscelino Kubitschek estimulou a empresa automobilística como força motriz da indústria brasileira, desestimulando e sucateando o desenvolvimento de outros modais, como a malha ferroviária.

O investimento no setor ferroviário para realizar uma integração de modais, desponta como principal solução para mudar o quadro atual em que o país se encontra. Hoje o Brasil possui apenas 30 mil quilômetros de ferrovias, extensão muito pequena em comparação com países emergentes como a China (121.000 km) e Índia (68.000 km), tendo menor dimensão até que a Argentina (36.000 km).

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Tabela de comparação entre ferrovias no Brasil e outros países.

A utilização de ferrovias proporciona um menor custo de manutenção e transporte em relação as rodovias, as disparidades de gastos entre os modais aumentam de acordo com a distância percorrida, além disso a emissão de poluentes por ferrovias são 15% menores em relação as rodovias. Visto isso e a vasta extensão territorial do país, torna-se essencial  implementação de ferrovias que cortem o país e liguem os principais centros urbanos, buscando uma combinação com outros modais, já que a malha ferroviária torna-se menos efetiva  no transporte à curtas distâncias.

O principais desafios enfrentados para o crescimento da malha ferroviária brasileira é a precariedade em que se encontra as ferrovias brasileiras que nos últimos 40 anos perdeu 10.000 km de sua extensão, outrossim é a necessidade da implementação e continuidade de um plano de governo de médio a longo prazo, ou seja, é preciso que o projeto tenha continuidade por mais de um mandato, outro imbróglio é o alto investimento inicial, que gira em torno de R$45 bilhões, visando a ampliação, manutenção e construção de pátios que abriguem trens com 120 vagões, e a criação de novas rotas ferroviárias que dinamizem a economia do país. Além disso a rígida regulamentação em relação aos fretes do modal geram um entrave em seu desenvolvimento e afastam maiores investimentos de empresas privadas no setor.

Sendo assim pode-se dizer indubitavelmente que o Brasil necessita de uma mudança em relação a seus modais , e para que ela ocorra é preciso se ter um alto investimento governamental para integrá-los da melhor maneira, ou seja, um meio que favoreça o crescimento econômico a médio e longo prazo, gerando empregos para a população e dinamizando o transporte de cargas efetuado no país.

Referências: Blog LogísticaExameCorreio BrazilienseNexo JornalIlosAgência Brasil.

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