ELE ESTÁ DE VOLTA!! VI Congresso de Engenharia Civil – Faculdade de Engenharia – UFJF

O Congresso de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Federal de Juiz de Fora (CONENGE) é um evento criado em 1994, quando teve sua primeira edição, em comemoração aos 80 anos da Faculdade de Engenharia da UFJF. … Continuar lendo

A Ganância Mata!

Memorial em homenagem às vítimas da tragédia no Ninho do Urubu Foto: CARL DE SOUZA / AFP

No mundo atual muitas vezes confundimos ambição com ganância, ou nem mesmo sabemos diferenciá-las.

Podemos defini-las da seguinte maneira:

Ambição: obstinação intensa para conseguir determinado propósito; vontade de alcançar sucesso; pretensão. Expectativa em relação ao futuro, aspiração, determinação, vontade.

Ganância: vontade de possuir tudo que se admira para si próprio. É a vontade exagerada de possuir qualquer coisa. É um desejo excessivo especialmente por dinheiro e poder, podendo levar as pessoas a corromper terceiros e se deixar corromper, manipular e enganar, chegando até ao extremo de tirar a vida de seus desafetos. Muitas vezes é confundida com ambição.

Desta forma podemos observar que ambição é algo positivo que te faz perseguir seus sonhos e objetivos e não o deixa desistir. No entanto esse sentimento se for exacerbado pode se tornar ganância, rompendo uma linha tênue que separa os dois sentimentos, essa linha pode ser chamada de ética ou moral.

No início desse ano vivenciamos algumas tragédias, duas delas podem ser caracterizadas pela ganância: o rompimento da barragem de brumadinho que matou mais de 200 pessoas e o incêndio no ninho do urubu em que 10 crianças morreram. Neste post gostaria de chamar sua atenção para a tragédia ocorrida nas categorias de base do Flamengo.

No dia 8 de fevereiro de 2019, o Brasil e o mundo do futebol acordaram em estado choque, assistindo crianças, adolescentes tendo seus sonhos e vidas destruídas. O Flamengo hoje desponta com um dos times mais ricos do Brasil com um orçamento que gira em torno de R$700 milhões, no entanto “os meninos da gávea” como são conhecidos os garotos da categoria de base do Flamengo estavam morando em um local que não se tinha o aval da prefeitura para habitação e além disso estava descrita como área de estacionamento.

Na imagem abaixo podemos ver mais detalhada a estrutura em que moravam esses garotos:

Neste esquema torna-se indiscutível o descaso que se teve com o bem-estar desses garotos que vieram de longe em busca de seus sonhos, e muitos com o objetivo de no futuro proporcionar uma melhor qualidade de vida para sua família.

O mercado do futebol é indiscutível um dos que mais movimenta dinheiro no mundo, por essa razão, muitas vezes esses garotos são vistos apenas como mercadorias, números em uma planilha de lucros. O incêndio no ninho do urubu poderia ter sido evitado, não faltaram avisos, de acordo com a prefeitura do Rio de Janeiro a diretoria do Flamengo foi notificada em 30 casos por falta de alvará.

Após essa tragédia muitas categorias de bases no Brasil inteiro foram interditadas por não possuírem as medidas de segurança mínima para a habitação, evidenciamento que esse evento poderia ter acontecido em outros lugares e ter tomado até proporções maiores.

Em minha opinião o ocorrido não foi uma tragédia, foi um ato criminoso marcado pela ganância de todos os envolvidos no funcionamento desse alojamento, desde o engenheiro que assinou o projeto até o presidente do clube que ignorou os sinais que evidenciavam a ilegalidade do local e a precariedade da estrutura.

Portanto, temos como reflexão que não importa a área em que atuemos profissionalmente, temos que mudar nosso jeito de agir e pensar, é preciso ter-se mais empatia, compaixão, responsabilidade. Decidindo, assim se queremos ser éticos e honestos, ou que não tem problema ultrapassar alguns limites e dessa forma correr o risco de ter sangue nas mãos.

Fontes: Administradores, Esportes R7, Globo Esporte, Isto É, O Globo.

As barragens de Juiz de Fora estão sob risco de rompimento?

Barragem rompendo

Barragem de Brumadinho se rompendo. Fonte: Rede Globo.

Não sendo de conhecimento de boa parte da população, o município de Juiz de Fora tem pelo menos oito barragens, sendo três de usinas hidrelétricas, três de abastecimento de água e duas de rejeito industrial. Com o desastre de Mariana em novembro de 2015, a situação de nossas barragens foi tema de uma audiência na Câmara Municipal da cidade, onde se sugeriu a formação de uma comissão com participação popular, do poder público e dos responsáveis pelas barragens para definir procedimentos de fiscalização, emergência e plano de contingência. O engenheiro de Segurança em Barragem, Marcos de Oliveira Guerra, apresentou dados baseados em uma escala padrão e reiterou a importância do monitoramento por profissionais especializados. Tal monitoramento foi garantido pelas empresas responsáveis: Cemig, Cesama (Companhia de Saneamento de Juiz de Fora) e Grupo Votorantim.

O que não se imaginava era que, três anos mais tarde, quando o estado ainda não tinha se recuperado de tamanha tragédia, outra catástrofe ocorreria. Há menos de um mês, a barragem da Mina do Córrego do Feijão rompeu e causou mais danos que a primeira: foram dezenove mortos em 2015 e, até o momento, já são 166 mortes confirmadas em Brumadinho sendo que, de acordo com a Defesa Civil, ainda há 144 desaparecidos. Com essa nova adversidade, a população juizforana voltou a se questionar sobre os riscos das barragens da cidade.

AS OITO BARRAGENS DA CIDADE

Usinas hidrelétricas

Usina de Marmelos: Foi a primeira grande usina hidrelétrica inaugurada na América do Sul. É administrada atualmente pela Cemig. A barragem principal é de concreto, cuja altura é oito metros e o comprimento é de 51. Localiza-se na bacia hidrográfica do Paraíba do Sul, no rio Paraibuna, na região leste (altura do Linhares).

Usina de Joasal: Operada pela Cemig, tem sua principal barragem feita de concreto. Sua altura é quatro metros e seu comprimento 35. A estrutura se localiza na bacia Paraíba do Sul, no rio Paraibuna, na região sudeste da cidade (Granjas Bethel).

Usina de Picada: É de propriedade do Grupo Votorantim (Votorantim Energia) e tem sua barragem principal de concreto. Localizada no distrito de Torreões, sua altura é de 32 metros e comprimento de 96. Foi construída na bacia Paraíba do Sul, no Rio Preto.

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Represas de abastecimento

Represa Chapéu D’Uvas: A barragem tem volume de 146 milhões de metros cúbicos. Apesar de ser de responsabilidade da união, a Cesama opera e realiza manutenção.

Represa Dr. João Penido: Construída no Ribeirão dos Burros, próximo ao bairro Grama, possui volume de 16 milhões de metros cúbicos. A manutenção da represa é de responsabilidade da Cesama.

Represa de São Pedro: Responsável pelo abastecimento da Cidade Alta, o manancial é administrado pela Cesama. O volume da barragem, de terra, é de 1,2 milhão de metros cúbicos.

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Barragens de rejeito industrial

Barragem da Pedra: De propriedade da Nexa Resources (Grupo Votorantim), a barragem é de terra e possui volume de 1,5 milhão de metros cúbicos. Mantém resíduos industriais das atividades da empresa.

Barragem dos Peixes: Também de propriedade da Nexa Resources e feita de terra, esta se encontra inativa, segundo a empresa. Seu volume é de 800 mil metros cúbicos de rejeitos industriais.

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Para visualizar as localizações das estruturas acima, clique aqui.

AS AVALIAÇÕES REALIZADAS

O mesmo engenheiro de 2015, Marcos Guerra, afirma que o risco das barragens de Juiz de Fora é mediano. “Há uma escala de avaliação que considera diferentes fatores, como prejuízos ambientais e sociais, por exemplo. Este índice pode chegar a 18 de pontuação. As barragens de Juiz de Fora, em 2016, atingiam em torno de 11. Qualquer obra de engenharia é perecível. Tudo que é material tem seu ciclo de vida. Estão todas na cabeceira do município, próximas às comunidades. É preciso planos de contingência, emergência e fiscalização.”, diz o engenheiro ao jornal Tribuna de Minas. Diz ainda que é necessário realizar fiscalizações e manutenções das estruturas com periodicidade.

Em 2017 foi elaborado um Relatório de Segurança de Barragens pela Agência Nacional de Águas (ANA), o qual classifica o risco e o dano potencial associado. O primeiro diz o quanto é possível a ocorrência de um rompimento e o segundo o quão grave o incidente seria, caso ocorresse. De acordo com esse relatório, todas as barragens de Juiz de Fora apresentam dano potencial associado alto, já que suas dimensões são consideravelmente altas e estão localizadas em pontos onde um rompimento causaria grandes danos. Já sobre a categoria de risco, as barragens das represas de São Pedro e Dr. João Penido foram enquadradas na modalidade moderado e as demais apresentam baixo risco de catástrofe. Isso significa que há baixa possibilidade de ocorrer um desastre em Juiz de Fora, mas, caso ocorresse, os resultados seriam próximos aos de Brumadinho.

Enquanto isso, visitas estão sendo realizadas pela Comissão de Urbanismo da Câmara Municipal. A primeira ocorreu no dia 05 desse mês, nas duas barragens de rejeitos de Juiz de Fora: a Barragem da Pedra e a Barragem dos Peixes (atualmente inativa), as quais pertencem ao grupo Votorantim e estão sob responsabilidade da Nexa Resources. A segunda ocorreu no dia seguinte, na Represa Dr. João Penido, pertencente à Cesama. A Comissão de Urbanismo destaca que pretende realizar outras visitas após o término do recesso parlamentar, o qual encerrou no dia 15 desse mês. Data prevista, também, para marcar a audiência pública solicitada para discutir a situação das barragens de Juiz de Fora e informar a população sobre as condições das estruturas. “Só com boa informação combatemos o pânico e garantimos o acesso aos direitos. Após a calamidade de Brumadinho, recebi diversos pedidos de informação de moradores próximos a essas barragens, preocupados com a situação”, afirma vereador. Também foi requerido à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) o envio de um relatório sobre a segurança das barragens da Zona da Mata mineira.

FONTES: Portal G1, Tribuna de Minas