O que esperar de um mestrado acadêmico na Engenharia?

Formamos. “E agora?”

Na colação de grau, quando um parente disse à minha amiga: “Parabéns, você é uma engenheira!”, a resposta foi: “engenheira não, eu sou é desempregada…” [sorrisos amarelos]

Infelizmente, essa é a realidade de grande parte dos jovens brasileiros atualmente. Na falta de alternativas, eles passam a considerar uma opção que até então não parecia atrativa: dar prosseguimento ao que eles sabem fazer – estudar – ingressando em um mestrado acadêmico de 2 anos.

A bolsa não é de todo ruim: R$1.500 para quem tinha perspectiva de R$0, é algo. Em algumas cidades, esse valor cobre razoavelmente o custo de vida, mas não sobra nada no fim do mês, é fato. Por outro lado, se você considerar que vários empregos iniciais estão nessa faixa de salário, R$1500 para investir na sua própria qualificação, com direito a carteirinha de estudante por mais alguns anos, começa a tornar o cenário positivo.

Para concorrer seriamente à bolsa, são 2 os principais quesitos objetivos avaliados por uma banca de seleção: participação em projetos de pesquisa durante a graduação (se tiver publicação, você tem grandes chances de passar na frente) e ter um bom Coeficiente de Rendimento (a média das notas da graduação). Inglês avançado é desejável, e as cartas de recomendação são um quesito subjetivo importante, podendo ser utilizadas em caso de desempate.

Se você tem interesse de seguir nessa área, comece a providenciar estes itens o quanto antes, pois eles levam tempo. E a cada ano, com as vagas no mercado cada vez mais limitadas, cresce a concorrência para o mestrado.

Então, de posse do seu Currículo Lattes, que você floreou o quanto deu, você se inscreveu, passou, parabéns!

Assim, no início você cai no que eu chamo de graduação parte II – sala de aula, disciplinas, provas, tudo aquilo que já tivemos o suficiente. Mas as expectativas são altas: você espera avaliação de casos reais, projetos, desafios empresariais. E aí entra a frustração: quase todas as disciplinas são teóricas. Em geral, o que se vê é um aprofundamento dos conceitos vistos na graduação.

Fato #1: mestrado acadêmico não é uma qualificação direta para o mercado.

Esses conceitos são então aplicados em projetos de pesquisa, desenvolvendo aspectos bem especializados de problemas de engenharia. Em uma analogia com a engenharia civil: você não vai dimensionar uma viga – você vai desenvolver um processo para calcular essa viga melhor do que as ferramentas atuais (ex. mais rápido, mais realista, mais otimizado…).

Para isso, são necessários meses de estudo dos processos atualmente utilizados, das propriedades da viga, do comportamento mecânico do modelo adotado, o desenvolvimento de um algoritmo de cálculo compatível com os métodos atualmente utilizados, o teste da sua ferramenta, a correção de erros e então… ufa – está pronto o seu projeto.

Fato #2: o mestrado te ensina a gerenciar projetos e solucionar problemas como ninguém (individualmente).

A sua bolsa – logo, o seu tempo de realização do projeto – é limitada. Você tem 24 meses para entender praticamente tudo sobre um assunto, desenvolver as diversas etapas do projeto, corrigir erros, começar de novo, elaborar uma dissertação e apresentá-la para profissionais que entendem tanto ou mais do que você sobre o seu trabalho, e que vão julgá-lo rigorosamente.

No fim dessa etapa, [espera-se] você tem amplo domínio de uma área relevante da engenharia, conhece seu ritmo de trabalho e estudo, foi capaz de planejar as etapas de seu projeto e realizá-lo dentro do prazo, e finalmente, passou pelo crivo de profissionais qualificados.

 

Fato #3: fazer o mestrado acadêmico não quer dizer que você necessariamente deva seguir pela área acadêmica.

Após o mestrado, você será um profissional mais maduro e consciente de suas próprias habilidades, bem como das ferramentas disponíveis na resolução de problemas. Essa é uma das razões pelas quais as empresas brasileiras estão gradualmente passando a valorizar profissionais com mestrado (porque as estrangeiras já o fazem há décadas). Embora o doutorado na área de tecnologia seja outra história por enquanto…

Na área acadêmica, eu gosto de pensar que nós resolvemos os problemas do mundo: otimização de recursos, reuso de rejeitos, desenvolvimento de novas tecnologias, melhor compreensão de mecanismos… enquanto boa parte do setor privado está ocupadíssima em causar estes problemas.

Após trabalhar em empresas privadas, na qual meu suor não era valorizado e certamente não se convertia em ganho financeiro [para mim], eu optei pela carreira acadêmica. Deixei de lado uma proposta de emprego e os processos seletivos para trainee e me preparei para encarar sala de aula, muita leitura e baterias de ensaios experimentais.

Antes de tomar essa decisão, me informei bem sobre o assunto com professores de confiança, e já sabia o que me esperava: mais 6 anos de estudo ganhando bolsas, aprender e dar aulas até o fim da vida, salários inferiores ao de colegas no mercado, todos os entraves do serviço público… não ter chefes no seu cangote, pesquisar dentro dos temas que você gosta, mudar de área quando bem entender, desenvolver tecnologias para seu país e, por fim, [contribuir para] salvar o mundo.

 

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Espero que esse artigo ajude na sua decisão também. É muito triste ver colegas que estão no mestrado porque “não tinham outra opção”, ou chegam aqui esperando aprender ferramentas de mercado e dão de cara com equações, algoritmos e provas. Mas por experiência própria: isso passa logo, e a realização de ver o seu projeto tomando forma não-tem-igual.

Com planejamento e metas, é possível realizar um projeto de qualidade, fazer contatos, e ser valorizado tanto pelo mercado quanto pelo meio acadêmico. Essa é a carreira que eu decidi seguir. Reflita bem se esse é o seu perfil e, se estiver preparado, bem-vindo ao clube!

 

COM VOCÊS, A ESCRITORA. NOSSA QUERIDA PETIANA RAIZ:

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Júlia Castro Mendes,

Pesquisadora, professora e doutoranda em Engenharia Civil.

Na jornada para salvar o mundo, gosto de escrever sobre desenvolvimento pessoal para jovens profissionais.

Esse post foi originalmente publicado no meu LinkedIn.

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Como se destacar durante a graduação de engenharia

Ao escoher um curso de engenharia, seja Civil, Elétrica, Computacional, Produção ou Ambiental, é criada uma grande expectativa de salários promissores. Entretanto, outro fator que também costuma ser pontuado é o atual mercado de trabalho brasileiro. A crise enfrentada pelo país somada ao grande número de engenheiros recém-formados caracterizam um mercado de trabalho altamente competitivo, o que gera insegurança nos estudantes de engenharia.

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Para desfrutar de uma posição favorável no mercado de trabalho, é necessária muita dedicação. As disciplinas são complexas e difíceis, exigindo horas de estudo. Além disso, investir em atividades extracurriculares, falar outros idiomas e ter proatividade são qualificações que pesam no currículo.

O Brasil conta com um número de engenheiros desempregados relativamente alto, e isso deve-se pelo fato de os profissionais não buscarem evolução, e se prepararem de forma inadequada para atender aos requisitos do mercado. Contentar-se apenas com o conhecimento obtido em sala de aula é um caminho perigoso e que pode dificultar a vida profissional de um engenheiro.

Na última semana, ocorreu na Faculdade de Engenharia da UFJF a Semana da Engenharia, realizado pelo Diretório Acadêmico Clorindo Burnier (D.A. Engenharia – UFJF). Um dos eventos promovidos foi uma mesa redonda com representantes e ex-representantes de alguns dos seguimentos da universidade, como o PET Civil UFJF, a Empresa Jr. Mais Consultoria Jr., o NASFE, o Engenheiros Sem Fronteiras e o IEEE. A troca de ideias dos participantes da mesa com os expectadores foi muito proveitosa e o principal tema abordado foi a diferença que os seguimentos fazem na graduação e o potencial que essa diferença gera em um profissional formado.

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Ao procurar um seguimento extracurricular na faculdade, o estudante se dispõe a sair de sua zona de conforto e buscar se redescobrir como pessoa. Assumir a dificuldade de conciliar projetos paralelos com a graduação é o “mal necessário” mais enriquecedor para o futuro engenheiro. Além de aumentar o leque de contatos dentro e fora da universidade, sair da zona de conforto lapida um engenheiro maduro, com liderança, proatividade, que sabe lidar com pessoas e trabalhar em equipe e que consegue se organizar para assumir responsabilidades sem perder a excelência. Esse engenheiro é o profissional que terá destaque no tão temido mercado de trabalho.

Uma prova dessa ideia é a atual dificuldade para estudantes de engenharia encontrarem um bom estágio. Um bom currículo acadêmico e uma coleção de certificados são cartões de visita que podem facilitar esse processo.

Por fim, os profissionais que estiverem em constante atualização do seu currículo acadêmico e acompanhando as tendências de mercado têm, sim, um futuro muito promissor. Descobrir que você é melhor do que você se auto-julga ser é o primeiro passo para atingir o sucesso profissional, basta querer e fazer por merecer.

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Fonte: AdzunaEgenhariaE ;  EngenhariaPT.

Ser engenheira é ser mulher

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As mulheres conquistam cada vez mais seu lugar no mundo moderno. Um exemplo claro disso é a engenharia, que deixou de ser um campo de universo masculino para dividir espaço com as qualidades femininas. Turmas que antes formavam com uma ou duas representantes do sexo feminino, hoje são metade compostas por elas. Observar as bibliotecas de faculdades de engenharia cheias de mulheres é motivo de orgulho para toda a sociedade.

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Enedina Alves Marques

Voltando um pouco na história, em 1917, mesmo ano em que na Rússia o dia 8 de março consagrou-se como o dia da mulher, Edwiges Maria Becker Hom´meil entrava para a história como a primeira engenheira do Brasil formada pela Escola Polythecnica do antigo Distrito Federal (RJ), que hoje seria a Escola Politécnica da UFRJ. Vinte e oito anos depois de Edwiges, em 1945, na UFPR, formava-se a primeira engenheira do estado do Paraná e primeira engenheira negra do Brasil, Enedina Alves Marques, também considerada uma pioneira da engenharia brasileira.

Trazendo a história um pouco mais para perto, na Universidade Federal de Juiz de Fora, em 1933, Marilia D’Alva Fabiano Alves torna-se a primeira mulher engenheira (geógrafa) formada pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora e Dulce Palmer é a primeira mulher a se formar pela Escola de Engenharia como engenheira civil e eletrotécnica em 1938.  Essas são apenas algumas mulheres, dentre muitas outras de igual importância, que superaram limites para fazer história na engenharia brasileira.

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Apesar da participação feminina crescer a cada dia, alguns preconceitos precisam ser vencidos. Embora a legislação brasileira, em seu artigo 7º, inciso XXX da Constituição Federal de 1988, proíba a diferença de salários e a discriminação trabalhista relacionada ao sexo, idade, cor ou estado civil, quando se observa os gráficos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), percebe-se que a média salarial das engenheiras, no Brasil, é 14% menor que a dos homens. Além do desafio da desigualdade, aos poucos as mulheres têm saído dos escritórios e vencido o preconceito da presença delas em canteiros de obras. Afinal, o mundo precisa de mais mulheres de botina e capacete fazendo história.

Reportagem especial mostra a inserção das mulheres na Engenharia Civil

 

Fontes: Blog da EngenhariaUNOCHAPECÓ ; UFJF .

Outras atuações do engenheiro civil

Quando se questiona em quais ramos um engenheiro civil pode atuar, a resposta majoritária é no âmbito da Construção Civil. Contudo, na formação de tal profissional, visa-se capacitá-lo para proceder atividades em demais setores, sendo eles: Estruturas, Geotecnia, Hidráulica, Saneamento Básico e Transportes.

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Fonte: autor próprio.

Todavia, ao longo dos cinco anos da graduação, o estudante de Engenharia Civil desenvolverá, através das matérias lecionadas, habilidades que permitirão sua admissão à cargos que, normalmente, não lhe são designados. De acordo com Vanderli Fava de Oliveira (2011), Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Formação e Exercício Profissional em Engenharia (Nupenge) e Diretor de Comunicação da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), apenas dois, dentre sete engenheiros formados no país, trabalham nas áreas de atuação de sua formação.

O desenvolvimento de um raciocínio lógico eficiente, a facilidade com cálculos e a visão organizada e meticulosa, são algumas das competências de um engenheiro civil que permitem essa multiprofissionalidade.

Assim, quais são as outras possíveis atuações do engenheiro civil?

  • Deter um cargo executivo em grandes corporações, principalmente na administração das mesmas:

Como exemplo, José Roberto Bernasconi, graduado em Engenharia Civil e premiado como Engenheiro do Ano pelo Instituto de Engenharia (2012), abriu uma empresa trabalhando como projetista. Atualmente, ele ocupa uma função administrativa na mesma, tendo um raro convívio com a execução das obras.

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Engenheiro civil José Roberto Bernasconi.

  • Gerenciar as finanças e a contabilidade de uma empresa:

Como exemplo, Daniel de Melo Aguiar e Oliveira, que após a graduação em Engenharia Civil, se inscreveu em processos de trainee de diversos bancos e foi contratado pelo Banco Itaú.

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Engenheiro civil Danilo de Melo Aguiar e Oliveira.

  • Ser um empresário autônomo:

Como exemplo, Wilson Guerino, engenheiro civil formado, vive em Goiânia (GO), onde fincou seu sucesso como dono de um estabelecimento gastronômico de crepes. Segundo ele, devido aos conhecimentos adquiridos durante sua graduação, foi possível que o mesmo construísse o maquinário que seria utilizado em seu empreendimento.

  • Atuar no âmbito acadêmico, como professor em escolas e universidades:

Como exemplo, os professores da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) são, em sua maioria, graduados em Engenharia Civil.

Portanto, é nítido que o engenheiro civil não tem uma gama restrita de atuação, visto que sua graduação corrobora para que ele se torne um profissional apto à exercer atividades além das previstas.

Fontes: Gazeta do Povo Engenharia Civil Revista Exame Guia do Estudante Revista Você S/A