Devemos nos preocupar com a segurança das obras de arte? (Parte I)

 

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Viaduto Depraiado, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.

Quando se fala em OBRAS DE ARTE é comum pensarmos na pintura “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci, na escultura “Davi” de Michelangelo Buonarroti ou na arquitetura da “Catedral Metropolitana de Brasília” de Oscar Niemeyer. Mas você sabia que na Engenharia Civil também existem Obras de Arte?

 

O quê são as obras de arte?

As Obras de Arte Especiais (OAEs) são, principalmente, as pontes, os viadutos e os túneis. Relacionados a elas estão os perigos originados e a alta responsabilidade requerida, nos incubindo de zelar pela segurança na concepção, na construção e na utilização desse tipo de obra. Este artigo tem como objetivo identificar os perigos e os riscos associados, além de informar generalidades das normas de segurança que devem ser cumpridas em qualquer tipo de grande obra.

Estudantes do Curso de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), orientados pelo Professor Engenheiro Miguel Fernandes, realizaram um relatório de projeto da FEUP sobre as “Obras de Arte da Engenharia Civil”. Nesse trabalho os autores levantaram alguns dos perigos que podemos encontrar nas construções desses empreendimentos: “quedas, soterramento de terras, cortes, entorses e outras lesões devidas ao manuseamento de ferramentas, atropelamento na via pública e/ou fora dela (equipamentos móveis), pó, projeção de materiais, choques elétricos, dermatoses, entre outros.”

Tendo isso em vista, esses tipos de infraestruturas requerem, além de especificações convencionais, análises mais específicas como o tipo de solo e a situação climática do local da obra, além de os materiais utilizados, o estado dos operários, os aspectos legislativos e, principalmente, as competências exigidas pelo responsável técnico do serviço.

E pensando nesta linha de responsabilidade técnica, surgiu a motivação de escrever o presente post, pois a temática nos leva a pensar, também, nas atitudes preventivas que se tornam essenciais no trabalho e se mostram eficazes  ao aplicarmos, difundirmos e divulgarmos amplamente tais ações por todos os intervenientes. A análise de todos os acontecimentos dentro de uma obra se torna infinitamente valiosa a partir daí, devido a possibilidade de, até nas pequenas falhas, surgir problemas de alta complexidade. Muito se fala que o Engenheiro é o profissional responsável por resolver problemas, mas evitar que tais problemas surjam se torna ainda mais considerável, levando em conta que haverá uma economia de recursos, de tempo e de intelecto.

E o quê fazer?

Nos últimos anos, notou-se um grande acréscimo da conscientização da segurança na construção e também nas Grandes Obras. Isto se deve, em grande parte, aos graves acidentes que ocorrem quando um estudo prévio não é devidamente elaborado ou é mal executado. Dentre tais tragédias podemos citar as quedas do viaduto em Belo Horizonte durante a Copa do Mundo no Brasil em 2014 e da Ponte de Jaguari em 2015. A garantia da segurança nesse tipo de estrutura tem de ser dada por conhecedores em avaliação de segurança estrutural, ou seja, um profissional talhado para o cargo: um Engenheiro Civil especialista em grandes estruturas.

Portanto pode-se listar algumas medidas preventivas para a garantia da segurança em “Obras de Arte” e, também, em obras em geral:

“- Identificar e avaliar os possíveis perigos e riscos que poderão ocorrer durante a realização da obra e também que poderão comprometer a execução da obra ou mesmo a vida dos trabalhadores;

Combater os riscos na origem e não deixar que estes se desenvolvam porque em princípio será mais fácil resolvê-lo e a menor custo evitando que este se exponencie em custos e efeitos, o que é muito importante para a realização de qualquer obra;

Dar prioridade às medidas de prevenção coletiva em relação às medidas de proteção individual;

Implementar planos de execução de tarefas;

Formar e informar aos trabalhadores;

Planificar a prevenção com um sistema coerente que integre a técnica, a organização do trabalho, as condições de trabalho, as relações sociais e a influência dos factores ambientais no trabalho;

Garantir as condições de conformidade e segurança dos equipamentos e meios utilizados;

Definir zonas de ação restrita, operação de máquinas;

Organização dos espaços e dos resíduos.”

Conclui-se que na implantação de uma obra é preciso que a sua planificação seja completa, sem falhas e sem riscos desnecessários. Com tudo isto, pode-se dizer que os cuidados devem ser destacados se quisermos que o acontecimento de desastres diminuam em nosso meio de trabalho.

FICOU CURIOSO PARA SABER MAIS SOBRE ESSAS FASCINANTES OBRAS?

Pensando na logística do blog e no conforto do usuário, pensou-se em dividir o presente post em duas partes. Em breve, postaremos como é o caso específico de cada uma das “Obras de Arte”: PONTES, VIADUTOS e TÚNEIS.

“A trabalhabilidade do concreto aliada à inteligência e à criatividade de nossos artistas fazem surgir espetáculos dentro da Engenharia.” (Autor desconhecido)

Fonte: FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

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A Ganância Mata!

Memorial em homenagem às vítimas da tragédia no Ninho do Urubu Foto: CARL DE SOUZA / AFP

No mundo atual muitas vezes confundimos ambição com ganância, ou nem mesmo sabemos diferenciá-las.

Podemos defini-las da seguinte maneira:

Ambição: obstinação intensa para conseguir determinado propósito; vontade de alcançar sucesso; pretensão. Expectativa em relação ao futuro, aspiração, determinação, vontade.

Ganância: vontade de possuir tudo que se admira para si próprio. É a vontade exagerada de possuir qualquer coisa. É um desejo excessivo especialmente por dinheiro e poder, podendo levar as pessoas a corromper terceiros e se deixar corromper, manipular e enganar, chegando até ao extremo de tirar a vida de seus desafetos. Muitas vezes é confundida com ambição.

Desta forma podemos observar que ambição é algo positivo que te faz perseguir seus sonhos e objetivos e não o deixa desistir. No entanto esse sentimento se for exacerbado pode se tornar ganância, rompendo uma linha tênue que separa os dois sentimentos, essa linha pode ser chamada de ética ou moral.

No início desse ano vivenciamos algumas tragédias, duas delas podem ser caracterizadas pela ganância: o rompimento da barragem de brumadinho que matou mais de 200 pessoas e o incêndio no ninho do urubu em que 10 crianças morreram. Neste post gostaria de chamar sua atenção para a tragédia ocorrida nas categorias de base do Flamengo.

No dia 8 de fevereiro de 2019, o Brasil e o mundo do futebol acordaram em estado choque, assistindo crianças, adolescentes tendo seus sonhos e vidas destruídas. O Flamengo hoje desponta com um dos times mais ricos do Brasil com um orçamento que gira em torno de R$700 milhões, no entanto “os meninos da gávea” como são conhecidos os garotos da categoria de base do Flamengo estavam morando em um local que não se tinha o aval da prefeitura para habitação e além disso estava descrita como área de estacionamento.

Na imagem abaixo podemos ver mais detalhada a estrutura em que moravam esses garotos:

Neste esquema torna-se indiscutível o descaso que se teve com o bem-estar desses garotos que vieram de longe em busca de seus sonhos, e muitos com o objetivo de no futuro proporcionar uma melhor qualidade de vida para sua família.

O mercado do futebol é indiscutível um dos que mais movimenta dinheiro no mundo, por essa razão, muitas vezes esses garotos são vistos apenas como mercadorias, números em uma planilha de lucros. O incêndio no ninho do urubu poderia ter sido evitado, não faltaram avisos, de acordo com a prefeitura do Rio de Janeiro a diretoria do Flamengo foi notificada em 30 casos por falta de alvará.

Após essa tragédia muitas categorias de bases no Brasil inteiro foram interditadas por não possuírem as medidas de segurança mínima para a habitação, evidenciamento que esse evento poderia ter acontecido em outros lugares e ter tomado até proporções maiores.

Em minha opinião o ocorrido não foi uma tragédia, foi um ato criminoso marcado pela ganância de todos os envolvidos no funcionamento desse alojamento, desde o engenheiro que assinou o projeto até o presidente do clube que ignorou os sinais que evidenciavam a ilegalidade do local e a precariedade da estrutura.

Portanto, temos como reflexão que não importa a área em que atuemos profissionalmente, temos que mudar nosso jeito de agir e pensar, é preciso ter-se mais empatia, compaixão, responsabilidade. Decidindo, assim se queremos ser éticos e honestos, ou que não tem problema ultrapassar alguns limites e dessa forma correr o risco de ter sangue nas mãos.

Fontes: Administradores, Esportes R7, Globo Esporte, Isto É, O Globo.

Por que não no Catar?

A Copa do Mundo da Rússia acabou e já deixa saudades para aqueles que adoram assistir jogos atrás de jogos e sentir o famoso “clima de Copa”. Para os mais fanáticos, duas informações que incomodam: o próximo mundial será apenas em 2022 e em um lugar no mínimo inusitado, o Catar

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Se havia alguma dúvida sobre qual o único fator importante na escolha das sedes das Copas do Mundo pela Fifa, ela foi desfeita em 2010. A opção pelo Catar foi meramente financeira e disfarçada pela entidade com o discurso de “levar o futebol a novas fronteiras”. A vitória do Catar foi classificada como tendo alto risco operacional pela mídia estadunidense, australiana e britânica e foi severamente criticada após os escândalos de corrupção na FIFA.  Dinheiro não será problema para o maior exportador de gás natural liquefeito do mundo, e por isso os delegados da Fifa, como Joseph Blatter – hoje banido do futebol – levaram a Copa para o Oriente Médio.

Muitos fatores sugerem que o Catar pode não ser uma boa opção para sediar uma Copa do Mundo, como questões políticas, já que o país não reconhece o estado de Israel e uma eventual classificação do país poderia criar problemas; questões religiosas que preocupam diante do conservadorismo radical; e o calor, visto que em determinados períodos do ano as temperaturas costumam chegar a 50 graus centígrados. Porém, a FIFA e o governo local garantem que os problemas serão contornados. Por exemplo, o evento foi marcado para ser realizado em uma data alternativa de 2022 – novembro e dezembro –  visando um período com temperaturas sensatas para realização de partidas de futebol.

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Entretanto, existe um fator que confirma que a Copa do Mundo no Catar já é um verdadeiro desastre. Um novo relatório da Anistia Internacional revelou, em 2013, que o setor da construção civil no Catar encontra-se repleto de abusos, com os trabalhadores empregados em vários projetos de milhões de dólares sendo intensamente explorados. No país, a maioria da mão-de-obra barata é formada por imigrantes do Nepal, Índia e Paquistão que são expostos a longas jornadas – muitas acima de 12 horas – e lidam com um ambiente de trabalho pouco seguro e carente de infraestrutura adequada. Há relatos de condições análogas à escravidão nas obras da Copa. Passaportes são confiscados e os salários são retidos pelos chefes durante meses. Tudo isso sob as condições climáticas bastante improprias.

Um relatório da International Trade Union Confederation constatou que 1200 imigrantes, a maioria da Índia e do Nepal, já perderam suas vidas em 2015 e a estimativa da entidade é que, no total, 4 mil operários vão morrer até o começo dos jogos, em 2022. As mais diferentes adversidades nas condições de trabalho levam os trabalhadores à morte: acidentes de trabalho, ataques cardíacos, doenças desenvolvidas por conta da vida precária e até suicídio. Um representante do comitê organizador da Copa no país negou as informações e disse que os números estavam errados.

Comissões de direitos humanos pedem o fim do sistema local chamado “kafala”, muito comum nos países árabes do Golfo Pérsico. Nesse sistema, os imigrantes sem qualificações e dinheiro entram no Catar para trabalhar com a ajuda de um “patrocinador”. Este paga o visto, o custo da viagem e a hospedagem. Geralmente, essa pessoa é o futuro chefe, abrindo margem para a exploração dos trabalhadores: eles chegam ao país já devendo para seus empregadores.

O problema está longe de ter fim e todo o crescimento em infraestrutura almejado pelo Catar pode apagar a situação trágica de segurança do trabalho nas construções de metrôs, aeroportos, redes ferroviárias, hotéis e estádios. O crescimento econômico do país de 15,5 a 21 por cento ao ano é manchado por milhares de mortes de operários imigrantes.

FONTE: ESPN; Exame; Ig.