Ciclovia Tim Maia: a importância da avaliação de riscos na Construção Civil

Inaugurada em 2016, no Rio de Janeiro, a ciclovia Tim Maia (figura 1) oferece um dos mais lindos e agradáveis passeios ciclísticos da cidade. Ela liga a Zona Sul à Barra da Tijuca, acompanhando a Avenida Niemeyer ao longo do … Continuar lendo

Um País Unimodal

 

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Visando a análise de transporte de cargas e pessoas, o Brasil pode ser considerado um país que possui um modelo unimodal, ou seja, a predominância de um único sistema de transporte em detrimento dos demais. A utilização desse modelo pode acarretar  problemas logísticos e econômicos para qualquer país, que podem ser agravados em países com grande extensão territorial como é o caso do Brasil.

A paralisação dos caminhoneiros em maio de 2018, gerou grande impacto na economia brasileira, como o aumento do preço de combustíveis, falta de estoque de alimentos nos supermercados, expondo um país que estava a beira de um colapso. Essa greve incitou alguns questionamentos sobre como a economia brasileira se tornou refém de uma classe trabalhadora, e oque fazer para mudar essa situação.

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Imagem da greve de caminhoneiros em 05/2018

A malha rodoviária, hoje, é responsável por volta de 75% do escoamento de toda a produção brasileira, demonstrando uma disparidade exorbitante em relação aos demais modais ( ferroviária, hidroviária, marítima, aérea e etc.), isso ocorre devido a um fator histórico-político ocorrido em 1950, no qual o então presidente Juscelino Kubitschek estimulou a empresa automobilística como força motriz da indústria brasileira, desestimulando e sucateando o desenvolvimento de outros modais, como a malha ferroviária.

O investimento no setor ferroviário para realizar uma integração de modais, desponta como principal solução para mudar o quadro atual em que o país se encontra. Hoje o Brasil possui apenas 30 mil quilômetros de ferrovias, extensão muito pequena em comparação com países emergentes como a China (121.000 km) e Índia (68.000 km), tendo menor dimensão até que a Argentina (36.000 km).

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Tabela de comparação entre ferrovias no Brasil e outros países.

A utilização de ferrovias proporciona um menor custo de manutenção e transporte em relação as rodovias, as disparidades de gastos entre os modais aumentam de acordo com a distância percorrida, além disso a emissão de poluentes por ferrovias são 15% menores em relação as rodovias. Visto isso e a vasta extensão territorial do país, torna-se essencial  implementação de ferrovias que cortem o país e liguem os principais centros urbanos, buscando uma combinação com outros modais, já que a malha ferroviária torna-se menos efetiva  no transporte à curtas distâncias.

O principais desafios enfrentados para o crescimento da malha ferroviária brasileira é a precariedade em que se encontra as ferrovias brasileiras que nos últimos 40 anos perdeu 10.000 km de sua extensão, outrossim é a necessidade da implementação e continuidade de um plano de governo de médio a longo prazo, ou seja, é preciso que o projeto tenha continuidade por mais de um mandato, outro imbróglio é o alto investimento inicial, que gira em torno de R$45 bilhões, visando a ampliação, manutenção e construção de pátios que abriguem trens com 120 vagões, e a criação de novas rotas ferroviárias que dinamizem a economia do país. Além disso a rígida regulamentação em relação aos fretes do modal geram um entrave em seu desenvolvimento e afastam maiores investimentos de empresas privadas no setor.

Sendo assim pode-se dizer indubitavelmente que o Brasil necessita de uma mudança em relação a seus modais , e para que ela ocorra é preciso se ter um alto investimento governamental para integrá-los da melhor maneira, ou seja, um meio que favoreça o crescimento econômico a médio e longo prazo, gerando empregos para a população e dinamizando o transporte de cargas efetuado no país.

Referências: Blog LogísticaExameCorreio BrazilienseNexo JornalIlosAgência Brasil.

Os principais modelos de mobilidade urbana no mundo

Mobilidade urbana é a forma e os meios utilizados pela população para se deslocar dentro do espaço urbano. Para avaliar a mobilidade urbana é preciso levar em conta fatores como: organização do território, fluxo de transporte de pessoas e mercadorias e os meios de transportes utilizados.

Devido ao grande índice populacional, em algumas cidades brasileiras a mobilidade urbana é considerada um dos principais desafios de gestão na atualidade, já que, juntamente ao crescimento da população, ocorre o aumento do número de pessoas que utilizam transporte individual para se locomoverem. Entre os fatores que demonstram o fracasso desse meio de transporte estão os engarrafamentos e a poluição do meio ambiente. Hoje, esses fatores são comuns nas principais cidades do Brasil. A frota de automóveis brasileira cresceu 400% em dez anos, conforme dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas), numa pesquisa realizada em 2016. Outro dado preocupante é que cidades com São Paulo e Rio de Janeiro não apresentaram o mesmo índice de aumento na construção de transportes alternativos e coletivos, como o metrô de superfície no mesmo período, opções de transporte que são alternativas menos agressivas que o transporte individual.

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O estímulo ao transporte não motorizado é um dos traços que caracteriza as melhores cidades do mundo em mobilidade. Além disso, a implantação de sistemas que priorizam a integração entre os modais faz com que o trânsito seja mais fluido e prático, com conexões reais entre os diferentes meios de transporte.

Em Berlim, capital da Alemanha, a diversidade de modais disponíveis e a facilidade de acesso é a principal característica da mobilidade urbana. Lá, trens, ônibus, metrôs, carros e bicicletas circulam em harmonia. Cerca de 13% das rotas são feitas de bicicleta, e a preferência pelo transporte público aumenta a cada ano. Entre 2001 e 2011, o número de usuários do transporte público cresceu mais de 20%. Um dos componentes importantes das políticas públicas de Berlim para o transporte tem sido o planejamento das vias para bicicleta e pedestres. A cidade construiu mais de 1000 quilômetros de ciclovias e o número de ciclistas aumentou mais de 40% entre 2004 e 2012. Em média, moradores de Berlim andam ou pedalam em 40% das suas viagens. Outra importante iniciativa da cidade alemã são os projetos de carros elétricos. Desde 2012, Berlim tem investido na tecnologia, e conta com 7,9 mil veículos elétricos, e mais de 500 estações de carga de energia espalhadas pela cidade.

Outro exemplo de sucesso na questão da mobilidade urbana é a cidade de Hong Kong, principal centro de negócios e turismo da Ásia. A cidade conta com um dos sistemas de mobilidade urbana mais bem organizados e eficientes do continente. Por dia, são aproximadamente 12,6 milhões de viagens feitas de transporte público. O que faz os deslocamentos serem eficientes é o sistema MTR (Mass Transit Railway), reconhecido como um dos mais eficazes do mundo. Espécie de linha de trem super rápida, serve às áreas urbanizadas de Hong Kong e localidades próximas, sendo o meio de transporte mais popular da região, com cerca de 5 milhões de viagens diárias. O MTR tem aproximadamente 218,2 quilômetros de extensão, com 159 estações. A eficiência no tempo dos trajetos também conta pontos para a cidade: estimativas apontam que os trechos são feitos dentro do horário estimado em 99% dos casos.

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Mais um exemplo é a capital da Inglaterra. Londres é uma cidade pioneira em mobilidade: implantou o primeiro túnel submarino, o primeiro aeroporto internacional e a primeira rede ferroviária subterrânea do mundo, o London Underground, conhecido como The Tube. Hoje, o sistema de transporte da cidade é referência mundial por integrar metrô, trem, ônibus, bicicleta e táxis. O metrô de Londres tem mais de 400 quilômetros de extensão, e transporta cerca de 1,1 bilhão de passageiros por ano. A peça-chave desse sistema integrado são os Oyster Card, outra referência criada por Londres. O sistema de bilhetagem eletrônica permite que os moradores acessem os diferentes tipos de transporte com apenas um cartão. O Oyster dá acesso ao metrô, ônibus, trens e aos barcos que sobem e descem o Rio Tâmisa. Outra iniciativa adotada pela cidade foi o pedágio de congestionamento, que restringe a circulação de carros no centro. O objetivo é estimular o uso do transporte público e reduzir as emissões de carbono pelos veículos.

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Situado a cerca de 80 quilômetros de Londres, o condado de Cambridge tornou-se modelo de mobilidade urbana depois da implantação do sistema de transporte coletivo conhecido como BHLS (Bus with High Level of Service, que significa “Ônibus com Alto Nível de Serviço”), ou The Bushway. Instalados em 2011, os veículos desse tipo se diferenciam dos ônibus comuns por serem mais velozes e seguros. Construído no percurso de uma antiga ferrovia desativada, o modelo tem um sistema conhecido como “guided bushway”. O veículo é guiado por rodas de aproximação nas faixas exclusivas, o que permite que ele trafegue em velocidades com segurança. Além disso, foi construído de modo que os ciclistas possam utilizar ciclovias laterais ao seu trajeto. Nas principais estações, há locais para guardar a bicicleta e também estacionamentos para veículos, para quem quiser deixar o carro estacionado e seguir seu trajeto pelo BHLS. A infraestrutura oferece alta acessibilidade em todas as estações, o piso é nivelado à plataforma de embarque. Em horários de pico, a frequência é de um ônibus a cada 5 minutos.

No Brasil, pode-se destacar a cidade de Curitiba como um expoente no setor de mobilidade urbana. Há mais de 30 anos, a cidade criou corredores de ônibus de forma inteligente visando a valorização do transporte público. As inovações estratégicas de mobilidade urbana como a criação do ‘ligeirão’ (um ônibus cinza que não para em todos os pontos) e a construção de novos corredores de integração mantêm a cidade ainda como modelo da América, mas o baixo investimento nacional em novas tecnologias pode deixar todo o sistema para trás.

Além de uma mudança de cultura, é imprescindível o investimento tecnológico para melhoria dos sistemas de transportes urbanos do Brasil.

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Fonte: Gazeta do PovoG1E-Moving.