E se a lama que destrói, construísse?

Atualmente, é questionável o sistema de extração de minério de ferro devido às tragédias ocorridas (Mariana e Brumadinho, principalmente) por causa desse método antiquado. O minério de ferro é matéria-prima para a fabricação do aço, material essencial para diversas indústrias, tais como a de carros e eletrodomésticos, além de ser imprescindível na construção civil. Nesse sentido, os rejeitos de mineração são os materiais restantes, que não possuem valor comercial, do processo de beneficiamento do minério, no qual utiliza-se água ou não para o processo de segregação. Assim, após essa etapa, os rejeitos geralmente são armazenados em barragens, tornando indubitável, pela produção em massa de aço no país, a necessidade de um tratamento adequado a esses resíduos.

Pensando em mundo mais sustentável, uma das maiores empresas mineradoras do país, a Samarco, desde 2005 estuda formas alternativas para o aproveitamento dos rejeitos oriundos da extração de minério. Nesse caso, o foque estaria sob dois tipos de rejeito, os arenoso e lama; que, de acordo com suas naturezas químicas e físicas, são destinados a um setor específico, tornando parte de matéria-prima. Assim, com o tratamento adequado do rejeito, pode-se ter a produção de ladrilhos hidráulicos, artefatos cerâmicos, pigmentos para tintas, dentre tantos outro. Como resultado das pesquisas no campo, em 2013 e 2014 foram utilizados blocos feitos com 30% de rejeito arenoso da Samarco em calçamento do bairro Porto Grande, em Guarapari (ES), além do seu uso nas cidades industriais da própria empresa.

Imagem1: Tipos de materiais produzidos pelas pesquisas da Samarco.

Um outro belo exemplo de reciclagem dos detritos de extração do minério é o da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que conseguiu transformar o rejeito em uma espécie de cimento pozolânico, areia e em pigmento. Os produtos da tecnologia desenvolvida já se mostram úteis como base de concreto, argamassas e pelotas de minério, podendo ser aplicados na construção civil, na pavimentação de estradas e também na agricultura. Em sua fábrica experimental foi construída uma casa de 46 m², com materiais feitos a base dos rejeitos, seu custo equivale a 1/3 de uma casa do mesmo tamanho feita com produtos convencionais. Além disso, os pesquisadores envolvidos afirmam que pode-se reduzir a necessidade de exploração do calcário, visto que a pozolana desenvolvida pode ser inserida no cimento tradicional. Ainda nesse contexto, foi calculado que em um período de 20 anos, utilizando essa tecnologia, haveria uma redução de 42% dos rejeitos, contando que sejam geradas, nesses anos, 11 bilhões de toneladas de materiais descartáveis.

Imagem2: Casa construída com os tijolos de rejeito de mineração UFMG. Reprodução
Imagem3: Tijolos produzidos pela UFOP com os rejeitos (à esquerda) e os convencionais (à direita)

Outro caso que atrai atenções é o da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), na qual o Grupo de Pesquisa em Resíduos Sólidos (RECICLOS) também utiliza-se dos rejeitos para a fabricação de materiais de todos os tipos. Sob orientação do professor Ricardo Fiorotti, os pesquisadores conseguiram chegar a uma fórmula ideal que desse origem a tijolos, concreto e argamassas com 80% da sua composição vindos da lama da barragem de Bento Rodrigues. Assim, Ricardo Fiorotti corrobora que esse tipo de reciclagem é a ideal para os rejeitos, uma vez que para a construção de uma casa de 40 m² são utilizados 50 toneladas de resíduos, reduzindo a necessidade de areia e brita no processo. Os materiais surgidos possuem apenas a coloração como diferencial em relação aos convencionais, são de um aspecto marrom-avermelhado, em razão da presença de minério. A UFOP conseguiu uma parceria com uma empresa de blocos que atua nas proximidades para auxiliar na construção de uma vila sustentável com os materiais expostos.

Portanto, é inquestionável o potencial de reciclagem dos rejeitos das barragens de minério existentes no pais atualmente. A proposta é termos um sistema sustentável completo na cadeia da mineração, isso é técnico e economicamente viável, gerando produtos para diversos ramos produtivos. O reaproveitamento através dos materiais residuais do processo de beneficiamento do minério de ferro, reduz a necessidade de extração de areia, brita, argila e calcário. Além disso, é notório a redução drástica dos volumes de sólidos nas barragens, reduzindo a preocupação do corpo social quanto ao risco de novos desastres, seja ambiental seja humanitário, em detrimento do rompimentos das mesmas. Logo, os materiais possuindo seu destino adequado, auxiliará não só na melhoria do processo extrativo de mineração, como também na construção de meios eco sustentáveis.

Fontes: UFOP, O Tempo e G1.

 

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