Edifícios Verdes – Parte 1: Aproveitamento de água da chuva

Sustentabilidade é um assunto muito em voga atualmente. E faz todo o sentido. Com o aumento da população e do consumo mundial, é hora de começarmos a pensar no planeta, e nos recursos limitados que ele tem para oferecer.

Falando em língua de engenheiro, há alguns anos os projetos mais desejados deixaram de ser os “bonitos e baratos” para atenderem a 3 quesitos principais:

  • tecnicamente seguros;
  • economicamente viáveis;
  • ambientalmente conscientes.

Daí surgiram os Edifícios Verdes: obras ligadas à sustentabilidade e à inovação tecnológica nas construções urbanas. Essas estruturas atendem à vários critérios de racionalização de material, redução de gasto energético, reaproveitamento de água e reciclagem de resíduos. São construções eficientes, além de inovadoras.

E o preço desse tipo de projeto? Pensar ecologicamente não encarece a obra? Sim, é claro que o investimento é um pouco maior do que o necessário para um edifício tradicional (cerca de 20%). Mas pesquisadores já provaram que o investimento se paga em até 15 anos. A economia de água e energia que se segue após o ponto de equilíbrio é “lucro” para os proprietários do edifício verde. (Dica: “Obra sustentável é mais cara?” – Artigo da Revista Techne nº 179 – fev/2012)

Uma das especificações que os selos de certificação de obras sustentáveis exigem é a economia e reaproveitamento da água.

Captação de águas pluviais

Segundo Plinio Tomaz, estudioso brasileiro, entre os benefícios obtidos com a conservação da água, estão:

    • economia de energia elétrica;
    • redução de esgotos sanitários;
    • proteção do meio ambiente nos reservatórios de água e nos mananciais subterrâneos.

Mesmo antes da publicação da NBR 15.527, norma de regulariza os requisitos para aproveitamento de água de chuva em coberturas de áreas urbanas, algumas cidades brasileiras já possuíam legislação pertinente, sendo as mais importantes a Lei nº10.785/2003 do Município de Curitiba – PR e a Lei nº6.345/2003 do Município de Maringá – PR

Em São Paulo – SP, a Lei nº13.276 de 2002, conhecida como “Lei das Piscininhas”, obriga a construção de reservatórios para as águas coletadas em pisos ou coberturas nos lotes que tenham área impermeabilizada superior a 500 m². Estas águas devem ser preferencialmente infiltradas no solo ou utilizadas para fins não potáveis, sendo que uma hora após a chuva a água poderá ser direcionada para a rede pluvial.

Essa lei ilustra um outro benefício da captação: a redução do escoamento superficial da água, prevenindo assim a sobrecarga das redes municipais e a ocorrência de enchentes.

O sistema

O sistema de aproveitamento de água da chuva funciona da seguinte maneira: a água é coletada de superfícies impermeáveis, normalmente telhados, mas podendo abranger quadras, pavimentos abertos, ou qualquer outra superfície de fácil drenagem e pouca poluição. Em seguida é filtrada e armazenada em reservatórios de acumulação, que podem ser superficiais, enterrados ou elevados e constituídos de diversos materiais, como blocos de concreto, aço, plástico, polietileno, entre outros.

Os requisitos para o aproveitamento de água de chuva de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis são fornecidos pela NBR 15.527 (ABNT, 2007). Esta Norma se aplica a usos não potáveis em que as águas de chuva podem ser utilizadas após tratamento adequado, de acordo com a finalidade, como:

  • descargas em vasos sanitários;
  • irrigação de gramados e plantas ornamentais;
  • lavagem de veículos;
  • limpeza de pisos e pavimentos;
  • espelhos d’água;
  • usos industriais, como torres de resfriamento, entre outros.

O dimensionamento do sistema de aproveitamento de água de chuva depende de uma série de fatores, tais como: Índice pluviométrico da região, finalidade da utilização (limpeza de pátios, lavanderia, lava-jato, descargas sanitárias, rega de jardins e/ou hortas, etc.), capacidade de investimento do cliente, dimensão da área coletora, disponibilidade de espaço e demanda técnica para instalação ou construção de cisternas.

O volume dos reservatórios deve ser dimensionado com base em critérios técnicos, econômicos e ambientais, levando em conta as boas práticas da engenharia. Deve-se analisar a série histórica e sintética das precipitações locais ou regionais. Os governos estaduais e o governo federal possuem base de dados com informações confiáveis como o site da ANA (Agência Nacional das Águas: http://hidroweb.ana.gov.br/).

A instalação de um filtro permite o uso posterior da água, melhorando sua qualidade, porém, sem torná-la potável. A idéia é dar uma melhoria qualitativa, e é imprescindível para o armazenamento propício das águas.

Quanto às instalações hidráulicas, devem seguir a norma  NBR 5626:1998  (Instalação predial de água fria), e as tubulações e demais componentes devem ser claramente diferenciados das tubulações de água potável.

Benefícios

A vantagem econômica do aproveitamento de água de chuva se baseia na menor necessidade de fornecimento de água pelas companhias de saneamento, tendo como conseqüência a redução de despesas com água potável e esgoto para os usuários.

A economia é sensível em todas as instâncias: residencias unifamiliares, edifícios residenciais e comerciais, e  principalmente indústrias, que geralmente possuem uma grande área de captação e diversos usos não potáveis para a água.

O benefício para o meio-ambiente, por sua vez, é incalculável, reduzindo a demanda por água dos mananciais já sobrecarregados, e preservando esse bem de valor inestimável.

Fontes: Plínio Tomaz, Economia de Àgua para Empresas e Residencias: Um estudo atualizado sobre o uso racional da água;

ABNT NBR 15527/2007;

Brian Oliveira e Silva, Vantagens Econômicas do Aproveitamento de Água de Chuva para Fins Residenciais. Trabalho de Conclusão de Curso, UFJF 2011.

Julia Mendes e Rafaela Mendes, Análise da viabilidade econômica da instalação de um sistema de captação de água da chuva em edifícios residenciais. UFJF 2011.

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Floresta Vertical

O arquiteto Stefano Boeri está colocando em prática na Itália um projeto sonhado há muito tempo, a construção de uma “Floresta Vertical“. Os dois prédios chamados “Bosco Verticale” (literalmente “Floresta Vertical), de 110 e 70 metros, cujas sacadas abrigarão árvores e outras plantas menores, formarão a primeira floresta vertical do mundo, bem no centro de Milão. Os prédios serão residenciais e cada apartamento terá seu próprio “pedaço de floresta”. Ao todo serão 900 árvores além de cerca de 5.000 arbustos e 11.000 plantas rasteiras, vegetação que normalmente ocuparia uma área de 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol. A segurança em relação ao peso e vento foi minuciosamente calculada, a “manutenção’ da vegetação ficará sob responsabilidade de uma empresa especializada.

O “Bosco Verticale” é a primeira peça de um projeto maior de Boeri, o “BioMilano, que pretende construir um cinturão verde ao redor da cidade italiana e restaurar fazendas abandonadas na periferia de Milão. Boeri argumenta que esta é uma resposta necessária à expansão da cidade moderna, uma tentativa de solucionar o problema da falta de verde nas grandes metrópoles. Os prédios serão totalmente sustentáveis, irão melhorar a qualidade do ar da cidade, já que a vegetação irá produzir umidade e absorver gás carbônico, terão mecanismos de energia eólica e fotovoltaica para aumentar o grau de autossuficiência energética e ainda contarão com um sistema de reaproveitamento da água utilizada para irrigação das plantas. Além disso, os próprios moradores também serão beneficiados já que o prédio ficará protegido da poluição e da radiação. Os apartamentos também terão maiores isolamentos térmico e acústico. O projeto teve início em 2007 e as construções devem ser finalizadas até o final desse ano.

Veja o vídeo de apresentação do projeto:

Outra ideia semelhante, porém ainda em planejamento é o “Urban Forest, a ser construído na China. Seu design seria mais ousado e inovador inspirado nas curvas irregulares das montanhas naturais encontradas no país. Ele teria 70 andares e abrigaria escritórios e apartamentos, mas ainda não há previsão para o início das obras.

Fontes: Revista Época, Revista Casa e Jardim