Falta de planejamento do Rio para receber megaeventos

Com grandes atrações da música brasileira e internacional, o Rock in Rio 2011 foi um sucesso de público. Isso não serviu, entretanto, para ofuscar a falta de planejamento da cidade do Rio de Janeiro para receber grandes eventos, na opinião de especialista em infraestrutura urbana. Para eles, o Rock in Rio, que terminou neste domingo, mostrou a necessidade de o município se preparar melhor para ser palco de megaeventos. De acordo com o diretor do Clube de Engenharia e conselheiro do CREA/ RJ, Jaques Sherique, o projeto de circulação da cidade precisava ser revisto para que não perturbe, como perturbou, toda a malha viária do entorno

— A Lagoa [bairro da zona sul de acesso à Barra da Tijuca, onde foi realizado o evento] estava sempre engarrafada, assim como os acessos da Tijuca [zona norte da cidade]. Não teve planejamento para evitar isso.

Sherique lamenta que representantes dos governos do estado e do município não tenham discutido, previamente, o assunto com especialistas. Para o engenheiro, que defende que os órgãos especializados em tráfego podem contribuir para corrigir as falhas identificadas durante o evento, o Rock in Rio tem que servir como lição para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

— O evento foi positivo do aspecto do aprendizado. Temos que melhorar a questão logística. Os ônibus foram insuficientes. Teve todo aquele caos [espera de mais de cinco horas e falta de vagas]. Os órgãos que podem colaborar não foram contatados. Não podemos deixar de aprender com os erros, porque não podemos errar na Copa do Mundo e Olimpíadas — disse o engenheiro.

Para o professor de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernando MacDowell a falta de planejamento tem sido um problema recorrente no Rio de Janeiro e um sinal amarelo na preparação da cidade para os jogos mundiais de 2014 e 2016. Para ele, a melhor forma de corrigir os erros é com acompanhamento presencial das autoridades.

— Você faz o planejamento, mas não acompanha. Acho que é um dos grandes erros. Os engenheiros e as pessoas que lidam com esse processo deverem estar em campo, porque é a única maneira de se aprender e melhorar para a próxima oportunidade.

MacDowell dirigiu o Departamento de Estradas de Rodagem no Rio de Janeiro (DER/RJ), a partir de 1987. Durante a gestão, o especialista em engenharia de transporte lembra que foi responsável pela organização do tráfego durante o último Grande Prêmio da Fórmula 1 no município do Rio, em 1989.

— Fizemos todo um aparato de estacionamentos de automóveis. Ninguém podia ir para área, mas não tinha que andar quilômetros, porque as linhas de ônibus foram estudadas e estabelecidos intervalos curtos. Eu e vários engenheiros fizemos toda a movimentação da cidade nas ruas.

Além dos congestionamentos, MacDowell criticou problemas como a espera de mais de cinco horas a que o público foi submetido para usar transporte exclusivo para o evento. Ele também condenou as cobranças de taxas inadequadas, a falta de água e de mobilidade dos moradores da Barra da Tijuca.

— Toda vez que há um grande evento, todo mundo é pego de surpresa. Isso não pode continuar assim. O Rio de Janeiro é uma das maiores cidades do mundo e está sendo observada. As pessoas que moram na região tiveram problema para sair [de casa]. As vias estavam todas tomadas.

Via Instituto de Engenharia.

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Falta de mão-de-obra na preparação para as Olimpíadas de 2016

O setor da construção civil corre contra o tempo para qualificar mais profissionais para as obras, que vão se intensificar nos próximos anos. Já o Comitê Rio 2016, constituído em 2010 para organizar os Jogos, deve chegar ao fim do ano com vagas em aberto.

De acordo com o diretor-geral do comitê, Leonardo Gryner, existe dificuldade para preencher todas as vagas disponíveis, o que pode levar à busca de profissionais no exterior.

O comitê tem hoje 181 funcionários, e esperava chegar a 274 até o fim do ano. Mas Gryner já não acredita que as vagas sejam preenchidas neste prazo.

“A economia brasileira está aquecida e faltam talentos no mercado”, afirma Gryner.

Na opinião de Gryner, o Brasil não formou o número suficiente de profissionais na última década para atender à necessidade atual do mercado. Segundo ele, a principal demanda é por engenheiros e gerentes de projetos.

Salários em alta

A disputa por bons profissionais tem elevado os salários a patamares acima dos previstos inicialmente pelo comitê. Associado à valorização do real, o fato torna a remuneração atraente também para estrangeiros, diz Gryner.

“Se faltarem engenheiros e técnicos, vamos ter de buscar (profissionais) lá fora. E nossos salários hoje são competitivos no exterior, porque estamos pagando, na conversão para o dólar, valores compatíveis com o mercado internacional”, afirma.

Entre os cargos oferecidos no momento, estão os de especialista em projetos, diretor de negociações comerciais, diretor de acomodações e gerente jurídico-comercial.

No setor de construção civil, a demanda por mão-de-obra promete deslanchar nos próximos anos, para dar conta dos projetos de infraestrutura urbana, esportiva e residencial em vista para a cidade.

“A nossa estimativa é de que, até 2016, em média 20 mil novos postos de trabalho sejam abertos a cada ano na construção civil”, afirma Roberto da Cunha, supervisor técnico do Centro de Referência em Construção Civil do Serviço de Aprendizagem Industrial (Senai).

Para suprir parte da demanda por mão-de-obra, o Senai vai abrir, até o início do ano que vem, duas escolas de formação profissional para o setor. A previsão é que se formem 6 mil profissionais por ano, a partir de fins de 2012.

Disputa por profissionais

Cunha diz que o aumento da demanda na construção civil ocorre devido ao aquecimento da economia brasileira.

Este cenário vem após um período de 25 anos em que o setor de construção permaneceu relativamente estagnado, entre o fim dos anos 1970 e a retomada, a partir de 2005.

“De repente, veio um crescimento muito grande e o setor está se recompondo. Acredito que em 2012 a gente já comece a se equilibrar”, afirma Cunha.

Com o mercado próximo do pleno emprego, diz, a mão-de-obra começa a ser disputada entre diversos segmentos. “Estamos brigando por mão-de-obra com todo mundo, da padaria ao supermercado”, diz Cunha.

“Estamos fazendo um sequestro de profissionais. Engenheiros e mestres de obra estão sendo disputados a tapa”, diz o professor Paulo Porto Neto, do MBA de Negócios Imobiliários e da Construção Civil na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Chegamos ao absurdo de disputar pedreiros, uma função de baixa qualificação. Precisamos investir na capacitação de profissionais”, afirma.

Técnicas atrasadas

Já o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), José Conde Caldas, diz que, além da falta de mão-de-obra, as técnicas de construção empregadas no Brasil são atrasadas.

“Somos os melhores do mundo na construção com concreto armado, mas hoje ninguém mais usa essa técnica para construção, é um sistema rudimentar. Em outros países, não se fazem mais prédios comerciais que não sejam de estrutura metálica”, afirma.

Ele diz que o setor viverá uma transição nos próximos anos, passando a usar novas tecnologias e equipamentos para simplificar o processo de construção, reduzir a mão-de-obra e cortar pela metade o tempo de construção de um edifício.

Para ajudar no processo, diz Caldas, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação firmou uma parceria em agosto com representantes do setor e a Universidade de Brasília (UnB) para criar um centro tecnológico destinado à pesquisa em construção civil.

Zona portuária

Caldas afirma que mais mão-de-obra e novas tecnologias construtivas são essenciais para levar adiante empreendimentos privados na região portuária do Rio de Janeiro, que se tornará um dos principais canteiros de obras da cidade nos próximos anos.

“Temos 30 projetos comerciais para a região portuária, mas não temos mão-de-obra. Como o setor ficou parado durante tanto tempo, os subempreiteiros quebraram e não se renovou esse pessoal.”

As obras previstas pela prefeitura para revitalizar a região até 2016 vão começar a ser executadas entre o fim deste mês e a primeira quinzena de outubro.

Segundo Alberto Gomes Silva, da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), ações de formação e qualificação profissional também estão previstas no projeto Porto Maravilha, de revitalização da área portuária.

O objetivo é treinar moradores da região em áreas como construção civil, hotelaria e turismo, para que sejam absorvidos pelas oportunidades de trabalho que aparecerem. O programa ainda está sendo elaborado e deve começar a funcionar no ano que vem.

Para saber mais sobre os jogos olímpicos, acesse Rio 2016.

Via Instituto de Engenharia.


Obras finalizadas na Cidade do Rock

Você, que comprou ingresso para o Rock in Rio, pode ficar tranquilo, as obras de infraestrutura da Cidade do Rock foram finalizadas! Após dez anos, o Rock in Rio, festival de música e entretenimento que já reuniu mais de cinco milhões de pessoas em suas nove edições (três no Brasil, em 1985, 1991 e 2001, quatro em Portugal e duas na Espanha) volta a acontecer no País. O evento será realizado no final de setembro e início de outubro no Parque Olímpico Cidade do Rock, construído na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade, às margens da Lagoa de Jacarepaguá. Além do festival, o parque abrigará outros shows musicais e servirá também como espaço de lazer para os atletas da Vila Olímpica, situada a cerca de 300 m do local.

As obras de infraestrutura

As obras de infraestrutura (terraplanagem, drenagem, pavimentação, instalação de sistema de água e esgoto e de iluminação), foram entregues no último dia 6 pela CR Almeida e custaram R$ 37 milhões. Para o Rock in Rio, no entanto, estão sendo feitas outras intervenções a cargo da organização do evento. Antes da Olimpíada de 2016, ainda haverá outra licitação para a finalização da estrutura de lazer do parque.

Segundo o engenheiro Luiz Severino Nunes Machado, da RioUrbe, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Obras responsável pelo projeto e acompanhamento da construção, o principal desafio do projeto foi a parte inicial da obra, de estudo e tratamento do solo. Uma área de 34 mil m² beirando o Canal Camorim, que liga as lagoas de Jacarepaguá e da Tijuca teve de ser recuperada.

Canal dragado

Para a execução da obra, foi feito um projeto ambiental que contou com a assessoria e aprovação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e do Inea – Instituto Estadual do Ambiente. A terraplenagem foi feita em aterro compactado com material importado de jazida (saibro) e hidráulico por dragagem flutuante. As etapas da obra incluíram: limpeza e acerto do terreno, recuperação e troca de solo com retirada de argila mole e substituição por areia e aterro de saibreira. Esse processo foi acompanhado de ensaio tecnológico, para medir as resistências necessárias para o solo. Na sequência, aconteceu a pavimentação e, depois, a execução das margens do rio Camorim. Sua canalização foi realizada com muros laterais de gabião e haverá ainda ações de recuperação do entorno da lagoa.

A área total do Parque Olímpico é de 138 mil m². A pavimentação urbanística foi executada em diferentes áreas, com acabamentos em grama sintética (uma área de 37 mil m² ao redor do palco principal), plaqueamento de concreto intertravado (53 mil m² espalhados pelo desenho do parque, que tem formato de guitarra) e asfalto no entorno do terreno (25 mil m² de pista que também servirá como ciclovia). A opção pela grama sintética se deu por sua maior resistência à grande movimentação de pessoas durante os shows e eventos. Para evitar problemas com a chuva, a área possui um sistema de drenagem. A escolha pelo plaqueamento intertravado também seguiu esta orientação: os blocos são facilmente substituídos em caso de danos, que podem acontecer não só por conta dos grandes shows e eventos, mas por características do próprio solo recuperado.

Vista geral da Cidade do Rock

Estes pavimentos circundam as lajes onde serão montados os palcos do Rock in Rio, que futuramente, em nova etapa da obra ainda não licitada, darão lugar às quadras poliesportivas e a um parque de patinação. Para estabilizar as áreas que receberão os palcos, foram feitos estacamentos pré-moldados, com mais de 500 estacas só na laje do palco principal do festival (Palco Mundo), com uma profundidade média de 8 a 9 m e blocos de coroamento.

Sobre o gramado em torno do palco principal foram construídos dez postes em formato de peixe pintados na cor branca para a iluminação pública do Parque. Outros 16 postes do mesmo desenho serão colocados na frente da obra. A fundação de cada poste foi feita com oito estacas e serão realizados testes de carga para verificar se suportam a força dos ventos que circulam na região. Cada poste tem 17 m no desenvolvimento (contando a curvatura) e 15 m de altura depois de aplicado.

Vista aérea do terreno, ao lado da Lagoa de Jacarepaguá

Com 8 t a 9 t, cada poste é composto de três peças metálicas, montadas em três estágios: colocação da base, soldagem das outras duas peças que, juntas, foram içadas por guindaste, encaixadas e soldadas na peça de base. Quatro desses equipamentos também possuem plataformas metálicas para instalação de caixas de som e iluminação.

Por fim, foram realizados os arremates, como o muro que circunda o Parque, os postes de iluminação externos, o asfalto das pistas internas e o conserto de partes da pavimentação intertravada danificadas na própria movimentação da obra.

As obras para o show do rock

Mesmo sem toda a infraestrutura pronta, a montagem dos equipamentos do Rock in Rio começou no início de julho. Na fase final de montagem, a construção envolveu 500 ou 600 profissionais e 3 mil t de material, como peças metálicas de encaixe.

Veja um vídeo da Cidade do Rock em 3D:

Fontes: Instituto de Engenharia, PINIweb¹, PINIweb².