As quatro melhores torres altas do mundo

O Conselho sobre Edifícios Altos e Habitat Urbano de Chicago (CTBUH) elegeu as melhores torres altas do mundo em 2012. Todo ano, são escolhidos quatro edifícios, representando as regiões das Américas, Europa, Ásia/Autrália e África/Oriente Médio.

Este ano, os escolhidos foram: Absolute Towers, assinada pelo arquiteto Ma Yansong em Missauga, Canadá; 1 Bligh Street, desenhada pelos escritórios Ingenhoven Architects e Architectus em Sydney, Austrália; Palazzo Lombardia, projetada por Pei Cobb Freed & Partners em Milão, Itália; e Doha Tower, criada por Jean Nouvel em Doha, no Qatar.

O prêmio é uma revisão independente de projetos novos, escolhidos por um painel de júri composto por executivos da indústria. As torres são reconhecidas pela sua contribuição no avanço de prédios altos e no ambiente urbano, além da utilização de sustentabilidade nos projetos.

O Conselho adicionou o Prêmio Inovação este ano, que foi dado à Al Bahar Towers, projetada por Aedas em Abu Dhabi, Emirados Árabes.

De acordo com os organizadores, 78 torres foram inscritas este ano, sendo a maioria delas localizadas na Ásia. Eles também apontam para um número recorde de torres com mais de 200 metros de altura finalizadas em 2011: foram 88, comparadas com 32 em 2005. Este ano, 96 torres com esta altura devem ser inauguradas.

O vencedor e os finalistas são publicados no livro anual do Conselho. O vencedor geral do prêmio será anunciado na cerimônia anual do CTBUH, que acontece no Illinois Institute of Technology no dia 18 de outubro.

À esquerda, Absolute Towers, projetada por Ma Yansong, e à direita Palazzo Lombardia, por Pei Cobb Freed & Partners

1 Bligh Street, desenhada por Ingenhoven Architects + Architectus

Al Bahar Towers, projetada por Aedas

Fonte: PINI Web

Retirado do Blog Construção Civil PET

Concreto submetido à altas temperaturas / Incêndio em edificações

Notícias sobre incêndios em construções são quase comuns no dia-a-dia das grandes cidades. Fiação antiga e sem manutenção, acidentes com produtos químicos e falha humana são os principais fatores causadores destas catástrofes.

Seguindo o post sobre a nova NBR 15200 – Projeto de Estruturas de Concreto em Situação de Incêndio, vamos falar um pouco sobre o comportamento do concreto em casos extremos como estes.

É fundamental, para a elaboração do projeto de um edifício, considerar o comportamento das estruturas de concreto quando submetidas à altas temperaturas, pois com o aumento progressivo desta, as propriedades mecânicas do concreto começam a degradar, podendo ocorrer colapso estrutural. O atendimento às normas é importantíssimo, quando consideramos a segurança da construção.

O concreto pode ser submetido à temperaturas elevadas acidentalmente ou estas podem fazer parte de suas condições normais de trabalho. Estas situações se distinguem pela elevação brusca ou gradual da temperatura. Um caso famoso de elevação de temperatura acidental é o incêndio do Canal da Mancha, em 1996. Observe o dano causado pelo fogo às paredes do túnel:

Outra situação comum é a de estruturas feitas para trabalhar sob temperaturas elevadas, como alguns componentes de usinas nucleares, altos-fornos ou repositórios de rejeitos radioativos. Nestes casos, por razão de segurança, a estrutura deve ser capaz de suportar temperaturas elevadas e de longa duração sem perder a capacidade estrutural. E, no caso de usinas nucleares, mantendo a propriedade de confinamento de materiais radioativos.

Abaixo, o edifício de confinamento do reator da Usina Callaway, no estado de Missouri, EUA, com mais de 2 metros de grossura de concreto e metal.

O concreto é um material poroso, altamente heterogêneo e composto por várias fases – podendo conter em seu interior fluidos na forma líquida e gasosa. Quando exposto a condições de temperatura elevada, há a ocorrência de fenômenos físicos e químicos, que alteram a estrutura porosa e as propriedades do meio.

Como a reação de hidratação do cimento é reversível e termoativada, a exposição do concreto à temperaturas elevadas pode ter efeitos deletérios, com a ocorrência de desidratação da matriz a base de cimento, fissuração devido a pressões internas geradas pela evaporação da água de amassamento remanescente da mistura e ao desplacamento superficial (“spalling”, como é visto na imagem do Canal da Mancha).

Ainda, os concretos comuns e de alta resistência se comportam de maneiras bem distintas quando submetidos aos mesmos grau e taxa de aquecimento. O concreto de alta resistência tende a desenvolver maiores pressões nos seus poros, uma vez que é mais compacto do que o concreto comum, reagindo então através do fenômeno do “spalling”.

O comportamento de estruturas submetidas a solicitações causadas por temperatura é analisado através de métodos numéricos, como a malha de Elementos Finitos mostrada abaixo:

Nota-se o baixo coeficiente de condutividade térmica do concreto: em 23 cm de espessura, a temperatura caiu de aprox. 570⁰C para 50⁰C. Esses resultados são testados experimentalmente e validados, conforme fontes.

Na elaboração de projetos de edifícios residenciais, públicos e industriais, uma das considerações feitas é a seguranca humana na ocorrência de fogo. O uso do concreto, por não ser combustível, não emitir gases tóxicos e ser capaz de conservar resistência suficiente por períodos extensos, permite operações de resgate e diminui os riscos de colapso estrutural.

Fontes e Agradecimentos:

Rafaela De Oliveira Amaral, SIMULACÃO DO COMPORTAMENTO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO SUBMETIDAS A INCÊNDIOS

Anna Paula Guida Ferreira, MODELAGEM DOS FENÔMENOS DE TRANSPORTE TERMO-HÍDRICOS EM MEIOS POROSOS SUBMETIDOS A TEMPERATURAS ELEVADAS: APLICAÇÃO A UMA BICAMADA ROCHA-CONCRETO

Visita técnica: Obra Green Park Life – Alvenaria Estrutural

No dia 16 de março de 2012, a Construtora Tenda recebeu petianos e colaboradores em seu canteiro de obras. No bairro São Pedro, em Juiz de Fora, o engenheiro Luiz Cesar Nascimento apresentou aos alunos o método construtivo do conjunto de 10 blocos de edifícios em alvenaria estrutural.

No local estava sendo finalizada a obra de 220 unidades de 2 e 3 quartos. Em cidades como Belo Horizonte, o engenheiro mencionou que a Tenda já construiu conjuntos de 6000 unidades. No total, o governo federal pretende financiar mais de 2 milhões de unidades.

Sobre a empresa: A Construtora Tenda é uma das principais construtoras e incorporadoras do país com foco em empreendimentos econômicos. Após a compra pela Gafisa, se tornou a empresa em 1º lugar no ranking de construção civil no Brasil. A construtora está presente em mais de 100 cidades de 11 estados do país.

O ex-petiano Newton Neto, que nos acompanhou durante a visita, é atualmente estagiário da Tenda. Na foto, estão ainda Priscila e Tiago, alunos da UFJF, também estagiários.

Newton, Priscila, Prof. Polisseni, Eng. Luiz Cesar, Tiago

Atualmente, um dos principais problemas que a empresa enfrenta é a falta de mão de obra especializada, em todos os níveis de contratação.

Método construtivo:

A alvenaria estrutural é um sistema construtivo racionalizado, no qual os elementos que desempenham a função estrutural são de alvenaria, ou seja, os próprios blocos de concreto são elementos portantes.

O cálculo estrutural foi feito por Márcio Faria, um dos maiores calculistas do Brasil, formado na UFJF. Devido à relativa pouca altura dos prédios (5 andares), os blocos possuem aproximadamente o mesmo tamanho em todas as etapas. A diferença é a resistência: 6 MPa nos primeiros 2 andares e 4,5 MPa nos seguintes.

Segundo o Professor Antônio Eduardo Polisseni, que organizou e acompanhou essa visita, em edifícios de até 12 pavimentos, a alvenaria estrutural é um método imbatível: é cerca de 30% mais rápida do que obras de concreto armado, e mais econômica também. Acima desse número de andares, a espessura dos blocos se torna uma desvantagem.

Ainda, na alvenaria estrutural, os blocos já vem no tamanho e corte exatos: o desperdício de material é mínimo. Não é permitido cortar as alvenarias, o que prejudicaria sua resistência. Dessa forma, o projeto é feito parede a parede, com todos os vãos de tubulações de luz e água já definidos e recortados em blocos específicos que entrarão em locais pré-fixados.

Até a argamassa é assentada com todo o cuidado para que não haja perda de prumo ou desperdício. Muitas vezes são colocadas sobre os tijolos com equipamentos que lembram confeitadores de bolo.

A partir das características citadas acima, nota-se que alvenaria estrutural é um método limitado arquitetonicamente. Após erguido o prédio, não pode haver qualquer modificação na posição e integridade das paredes, pois são elas que sustentam as cargas. Pinturas, troca de pisos entre outros acabamentos são permitidos.

Outra observação pertinente é a necessidade de controle rígido das etapas de construção. O Mestre de Obras Paulo Márcio, com mais de 30 anos de experiência, nos mostra algumas das precauções tomadas no levantamento das paredes.


Detalhes da obra:

Parte das fundações seriam tubulão. Por razões de logística e segurança, foram substituídas, completando a totalidade de estacas escavadas. Nas condições corretas, cada estaca suporta cerca de 30 toneladas. Nesse caso específico, foram utilizadas 3 – uma como fator de segurança. As estacas possuem 12m de profundidade e são constituídas por concreto de Fck 20.

Além das estacas, as outras estruturas armadas são a cinta, os acabamentos e as lajes. Essas últimas são construídas com peças pré-moldadas.

Outros exemplos materiais utilizados na obra são o poliuretano (foto), plástico parecido com isopor, que serve para impermeabilizar e vedar espaços pequenos (como entre as janelas e os blocos) e juntas de dilatação.

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E o material geotextil, chamado tecido-não-tecido, impermeabilizante e drenante, utilizado para revestimento de muros e paredes externas que não devem ter contato com água.

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A obra está marcada para ser entregue em novembro, e estava 100% vendida quando fizemos a visita. Uma curiosidade é que a própria empresa responsável pelas vendas faz a conscientização da importância de se preservar as alvenarias intactas. Ainda, via de regra, os edifícios de alvenaria estrutural possuem uma placa em sua entrada alertando os moradores sobre segurança.

Por último, questionamos o engenheiro Luiz Cesar sobre a presença de medidas sustentáveis no projeto. Segundo ele, o Green Park Life possuirá um sistema de captação de água da chuva a partir de pavimentos intertravados (permeáveis) que fazem a ligação entre os blocos. A água será usada para fins coletivos não-potáveis, como rega de jardins e lavagem das áreas comuns.

Agradecimentos: Construtora Tenda, Professor Antônio Eduardo Polisseni.

Mais informações: Alvenaria Estrutural