Universidades do Ciência Sem Fronteiras – Loughborough University

petnoborders

por Renan Pontaralogo

Nome: Renan Cezar Pimentel Pontara

Universidade: Loughborough University – United Kingdom

Curso: Engenharia Elétrica

Período de Intercâmbio: Setembro/2013 a Setembro/2014

A minha experiência de intercâmbio foi sem dúvida uma das fases mais importantes da minha vida acadêmica até hoje, a oportunidade de vivenciar a cultura de um país tão rico como a Inglaterra foi de extrema importância para meu crescimento, tanto profissional como pessoal.

Prédios administrativos

Prédios administrativos

A universidade que escolhi foi a Loughborough University e ela fica localizada na região central do Reino Unido, das razões que me levaram escolher essa universidade a principal foi a sua sétima posição no ranking das melhores universidades do Reino Unido no curso de engenharia elétrica. A universidade de Loughborough é uma das que possui um dos maiores campos únicos de todo Reino Unido, ela também é muito conhecida por sua pesquisa na área de educação física e esportes em geral, o campus é imenso e muito bem dividido e a universidade disponibiliza ônibus circular interno sem custo aos estudantes.

Quarto da acomodaçāo

Quarto da acomodaçāo

A minha acomodação durante todo o período de intercâmbio foi toda fornecida pela universidade, eram apartamentos de 4 quartos divididos em 3 prédios grandes de 4 andares com capacidade de alojar mais ou menos 300 pessoas. A universidade optou por colocar todos os brasileiros juntos nesses prédios, o que na minha opinião teve seu lado bom, de todos estarem passando pela mesma situação, e o seu lado ruim, de diminuir um pouco o contato com a língua inglesa já que todos se comunicavam em português.

A universidade de Loughborough fica localizada na cidade de Loughborough, na região de Leicestershire no centro do Reino Unido. Há apenas 30 minutos de ônibus do centro da cidade se encontra o Aeroporto Internacional de East Midlands, com voos diários para várias regiões da Europa. Esse aeroporto ajudou muito nas viagens internacionais que realizei, já que eliminou a necessidade de viajar para Londres toda vez que fosse necessário pegar um avião.

Laboratório de computação

Laboratório de computação

As instalações da universidade são iguais à todas as universidades do Reino Unido, simplesmente impecáveis. Laboratórios e equipamentos de ponta totalmente disponibilizados aos estudantes vinte e quatro horas por dia, as salas são grandes e em escada (igual cinema), algumas com até 2 projetores. Essa para mim foi a maior diferença entre as universidades do Brasil e as do Reino Unido, a infraestrutura.

No geral a minha experiência foi excepcional e eu recomendo a Universidade de Loughborough para qualquer engenheiro interessado em ir para o Reino Unido, tenho certeza que a experiência será tão incrível quanto a minha.

Confira a série do PET Civil Sem Fronteiras! Em breve teremos mais relatos de experiências, e para ficar por dentro de todos os posts basta clicar na imagem abaixo:

PET Sem Fronteiras

 

Anúncios

Evasão nas Universidades – Parte 2

A evasão universitária vem se impondo, ao longo do tempo, como uma realidade cada vez mais ostensiva no âmbito do ensino de graduação. Tal constatação, reafirmada por números alarmantes, vem aos poucos se mostrando com força o bastante para provocar, mais do que a simples curiosidade, o esforço efetivo no sentido de entender e explicar suas possíveis causas e conseqüências. E, portanto, acima de tudo, mobilizar a comunidade acadêmica na busca por soluções.

Os dados do Censo do Ensino Superior, divulgados pelo MEC, mostram que de 2008 para 2009, um total de 896.455 estudantes abandonaram a universidade, o que representa uma média de 20,9% do universo de alunos. Nas instituições públicas, 114.173 estudantes (10,5%) largaram os cursos. Nas particulares, um total de 782.282 alunos (24,5% dos estudantes) evadiram.

O cálculo leva em conta o número de estudantes que ingressaram quatro anos antes e o total de concluintes, isto é, os alunos que chegaram ao fim do curso em 2008. A média nacional ficou em 58,1%, sendo mais alta nas universidades públicas (63,8% nas estaduais e 62,4% nas municipais) do que nas privadas.

Causas

A evasão universitária é um fenômeno que se torna cada vez mais comum em universidades  públicas e privadas de  todo o mundo,  independentemente das peculiaridades sócio-econômicas e culturais de  cada país e das diferenças entre as diversas  instituições de ensino. A África do Sul, por exemplo,  apresenta  uma  taxa  de  40%  de  abandono  dos  estudantes  universitários  no  primeiro  ano  de  graduação. Sendo as principais causas deste, as dificuldades financeiras  enfrentadas pelos alunos além da baixa escolaridade e renda da família na qual estão inseridos.

Interessante  que  uma  das  maiores  taxas  de  abandono  entre  os  países  desenvolvidos  está  nos  Estados  Unidos,  onde  apenas  cerca de 50%  dos  jovens  dão  continuidade  ao  ensino  superior, mesmo considerando que  as  faculdades  naquele  país  permitem  uma  ampla  flexibilidade  na  formação – o  que  deveria minimizar  o  abandono  pelo  efeito  da opção  errada  pelo  curso.

No  Brasil,  em  alguns  casos,  o  baixo  desempenho  no ensino médio  reflete  no  desempenho  das  primeiras  disciplinas  do  curso  superior,  resultando  em  abandono do curso pelas  reprovações nos primeiros semestres. Outro  fator seria o  fato de o aluno  buscar o curso de baixa demanda com o objetivo de, após  ter  ingressado, procurar o curso de sua verdadeira  opção,  através  da  transferência  interna.  Como  isto  às  vezes  não  é  viabilizado pelo regulamento da Instituição, o aluno busca um novo concurso  vestibular, ou simplesmente desiste da graduação.

Um estudo inédito realizado na USP mapeou as causas da evasão no ensino superior. A pesquisa constatou que quase metade dos estudantes que desistem da graduação tiveram problemas no momento da escolha. Por pressões dos pais, por falta de informação sobre a faculdade ou sobre o mercado, 44,5% dos alunos acabam abandonando o que era seu sonho de realização profissional e se tornou a opção errada.

Outros 30,7% desistem por não gostarem da estrutura do curso que ingressaram. Depois, seguem os insatisfeitos com o mercado de trabalho e com a profissão, que somam 13,4%. Os que desanimam por razões pessoais –como problemas familiares, financeiros, afetivos– são 10,5%. Menos de 1% é motivado a largar a faculdade por não se adaptar à cidade em que ela se localiza.

Vários outros motivos levam o estudante a abandonar o ensino superior. Além de os jovens terem dificuldade para pagar a faculdade e se manterem durante o curso, há outro grande problema: a falta de acompanhamento acadêmico e pedagógico. Há países, como Japão, Finlândia e Suécia, que têm baixas taxas de evasão, principalmente por darem suporte ao estudante do começo ao fim do curso.Esse acompanhamento consiste na recuperação do aluno que vai mal, ajuda àqueles que têm problemas financeiros, atuação de professores tutores, entre outros.

Para a professora Yvette Piha Lehman, autora da pesquisa que defendeu como tese de livre docência, uma alternativa para as universidades evitarem o abandono é oferecer atendimento e orientação profissional.

Consequencias

As perdas financeiras com a evasão no ensino superior em 2009 chegam a cerca de R$ 9 bilhões, segundo cálculo do pesquisador do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia, Oscar Hipólito, com base nos números do Censo do Ensino Superior. Cada estudante custa por volta de R$ 15 mil ao ano na universidade pública e em média R$ 9 mil ao ano na instituição privada, de acordo com o pesquisador.

Para receber o aluno, as universidades têm de manter toda uma infraestrutura pronta, com prédios equipados, material de ensino, bibliotecas, além de pagar professores e funcionários. Na universidade pública, o valor é gasto mesmo se o estudante não está lá. Já no caso da instituição particular, as mensalidades de quem abandonou o curso deixam de ser pagas. “O fato de não ter aluno é custo. A instituição está pronta para ele. Esse é um dos problemas mais graves da educação brasileira em todos os níveis”, afirmou Hipólito. O pesquisador explica que o cálculo é uma média e tende a ser maior, já que há outros custos envolvidos na educação, como alimentação e transporte.

O Brasil tinha meta de chegar a 30% da população no ensino superior em 2010, mas não passou dos 13%. Para Hipólito, faltou e continua faltando uma política de longo prazo para mudar a situação. Um exemplo ao país, segundo o pesquisador, é a Coreia do Sul, que há cerca de 20 anos decidiu que investiria em educação. “Tem que focar. Eles focaram em ciências exatas e tecnologia. Hoje, compramos carros e TVs desenhados na Coreia. Enquanto isso, o Brasil não desenvolve nada, porque não tem tecnologia.”
Fontes: Gazeta do Povo, Folha, Contee, FotoSearch (Imagem)

Evasão nas Universidades – Parte 1

Evasão em universidades prejudica ensino superior

Um relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – aponta que apenas 10% dos brasileiros conseguem concluir o ensino superior. Segundo o mesmo relatório, no Brasil ter uma graduação aumenta em mais de 100% o rendimento do trabalhador, o que reflete a carência de mão de obra especializada.

As instituições privadas de ensino superior, onde estudam três em cada quatro universitários brasileiros, têm, proporcionalmente, menos estudantes concluindo seus cursos: apenas 55,4% do total. É o que mostra o Censo da Educação Superior 2007, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). A taxa de conclusão mais alta é das universidades federais, com 72,6%.

O cálculo leva em conta o número de estudantes que ingressaram quatro anos antes e o total de concluintes, isto é, os alunos que chegaram ao fim do curso em 2007. A média nacional ficou em 58,1%, sendo mais alta nas universidades públicas (63,8% nas estaduais e 62,4% nas municipais) do que nas privadas.

O indicador dá uma ideia do tamanho da evasão dos alunos, embora não seja um cálculo preciso. A partir deste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do MEC, pretende adotar um novo modelo de coleta de dados que listará o nome dos universitários e sua trajetória acadêmica, a exemplo do que já ocorre no ensino básico.

Mesmo menor do que nas instituições particulares, a taxa de evasão das universidades públicas é, de longe, alarmante. Veja mais sobre as causas e consequências destes dados nos próximos posts.

A fonte de inspiração desta pesquisa, além da palestra do Prof. Luiz Cláudio Costa no III Uai PET,  foi o seguinte artigo:

Capes reúne novamente grupo de trabalho para discutir a formação de engenheiros

Nesta segunda-feira, 14 de Março, realizou-se na sede da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) a primeira reunião de 2011 do Grupo de Trabalho GT-Engenharias, instituído em fevereiro de 2010. Composto por representantes da comunidade acadêmica, de agências de fomento e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) o grupo tem como missão principal analisar a situação da formação de engenheiros no Brasil e propor medidas visando a melhoria quantitativa e qualitativa de sua formação.

Grupo é composto por representantes da comunidade acadêmica, de agências de fomento e da CNI (Foto: ACS/Capes)

O GT-Engenharias constatou, a partir da base de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que os índices de titulação nas engenharias atingiam, em 2008, 35% nas instituições de ensino superior (IES) públicas e 25% nas IES particulares, caracterizando elevada evasão. Outro dado preocupante revela que, naquele ano, cerca de 90 mil vagas em engenharia oferecidas no vestibular não foram sequer ocupadas. Tais índices são incompatíveis com o crescimento sustentável do país.

Comparativamente, no grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil forma menos engenheiros por ano: cerca de 40 mil (incluindo tecnólogos e habilitações em construção civil, produção e meio ambiente), diante de 650 mil na China, 220 mil na Índia e 190 mil na Rússia (dados de 2009).

Estima-se que, para cada milhão de dólares investido (por exemplo, no PAC, Pré-Sal, Copa do Mundo, Olimpíadas, etc.), o mercado demanda um novo engenheiro. Portanto, para sustentar um crescimento do PIB da ordem de 5% ao ano, seria necessário aumentar em 21% a formação anual destes profissionais e, em 41%, caso este crescimento atinja 7%.

O Grupo de Trabalho preparou proposta de decreto para implantar o Programa Pró-Engenharias, pelo qual a Capes e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) concederiam bolsas de estudo e pesquisa, e promoveriam ações de apoio visando reduzir a ociosidade de vagas disponíveis e a evasão.

Este Programa constitui instrumento estratégico para viabilizar o aumento da competitividade e produtividade da economia nacional. Sua efetivação contribuiria para dinamizar a política de desenvolvimento produtivo e a cadeia tecnológica, agregando valor aos bens e serviços, e para concretizar a oportunidade de crescimento do país no limiar desta nova década, a melhor em toda sua história.

Fonte: Portal CAPES, MEC, Folha Online, Cotidiano UFSC