IV CONPET CIVIL e o seu legado

Estamos em clima de CONPET Civil! E para receber a quinta edição, que acontece neste final de semana em Ouro Preto/MG, nada melhor do que relembrar as experiências do IV Congresso Nacional dos grupos PET de Engenharia Civil. Mais do que isso, compartilhar tudo o que esse querido encontro nos proporcionou, nos fez refletir e crescer. Voltamos muito mais petianos! (ou “pétianos”, como se diz lá no Nordeste)

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Foto do IV CONPET CIVIL com apresentação da logo oficial do evento.

O PET Civil UFJF tem um carinho enorme por este evento que nasceu em Juiz de Fora e está ganhando novas proporções. A quarta edição reuniu 14 grupos nos dias 28, 29 e 30 de abril de 2017, em Fortaleza/CE, e teve como tema: “PET Civil: Filosofia, Ação e Legado”. Foram 03 dias de autoconhecimento acerca do nosso papel de transformar o mundo, cheios de motivações vindas das experiências dos outros grupos PET, com petianos e graduandos discutindo seus desafios enquanto futuros profissionais, acompanhados por professores tutores que lutam conosco pela continuidade do Programa de Educação Tutorial. Momentos oportunos para refletir e criar algo novo!

O que queremos deixar como nosso legado?”, “Qual a função social do engenheiro?”, “Como o desafio irá nos potencializar?”. É a nossa formação enquanto petianos lado a lado com a profissão que vamos carregar no peito: engenheiros civis!

O evento fomentou debates durante toda sua programação, contemplada por palestras, mesa redonda, grupos de discussão (GD’s), atividades de integração e apresentação de trabalhos. Atividades de teor mais técnico permitiram maior proximidade com algumas das áreas de atuação na engenharia, ao apresentar uma proposta de desmistificação do concreto protendido, o plano urbanístico de Fortaleza para 2040 e, ainda, a competição de estruturas recíprocas feitas a partir de palitos de picolé.

Foi ainda espaço para apresentação de trabalhos, publicados com número DOI (Digital Object Identifier System) e com ISSN. Na oportunidade, PET Civil UFJF foi representado pelas petianas Cassia e Gabriela com o trabalho “Concurso Mola”, acerca da competição desenvolvida com o Mola Structural Model; e por Bruno e Sarah com o trabalho “Boas práticas para Prevenção de Acidentes na Construção Civil: participação dos trabalhadores e programas de treinamentos”, oriundo do projeto de pesquisa em comum. (Para acessar plataforma com todos os trabalhos do evento, clique aqui)

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Programação oficial do IV CONPET CIVIL – Fortaleza/CE.

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Apresentação dos temas dos Grupos de Discussão (GD’s).

Mais do que um encontro por área, um encontro de pessoas. Foram 14 grupos PET Civil reunidos pelo amor ao Programa de Educação Tutorial, sejam petianos ativos, petianos egressos, bolsistas ou voluntários. Um evento pequeno, se comparado a SudestePET e ENAPET, mas que, por conta disso, fortalece a proximidade com cada integrante, constrói laços de amizades ao compartilharmos vivências e dificuldades semelhantes.

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Grupo PET Civil UFJF no IV CONPET Civil.

O PET Civil UFJF não irá esquecer das tapiocas do café da manhã, dos sotaques diferentes de cada canto do Brasil, da primeira viagem de avião de alguns integrantes, das altas “resenhas”, da quadrilha, da feirinha, da praia, dos cordéis, da terra do sol. E ficará guardada com muito carinho toda a hospitalidade que recebemos dos petianos do Ceará, nossos anfitriões, que escreveram cartinhas para cada membro do grupo compartilhando muito amor, como esta daqui:



Olá, Gabriela! Tudo bem com você?

Gostaria de começar essa carta dizendo que não é tão fácil escrever algo para alguém que não conhecemos tão bem. As palavras são meio desajustadas, a gente não sabe o que de fato falar. No entanto as coisas começam a se “aprumar” e as ideias se ajustam na cabeça quando eu lembro que, embora você seja totalmente diferente e desconhecido por mim, nós temos algo em comum: estaremos, nos próximos dias, desfrutando da programação do IV CONPET Civil.

Que felicidade “medonha” estar te recebendo aqui em Fortaleza para o CONPET. Eu, em nome de toda a organização do evento, quero te dar as boas-vindas a Fortaleza e te desejar que o congresso supere todas as suas expectativas. Foram mais de 260 dias de muito trabalho duro para que você pudesse desfrutar de um evento sensacional. Todos nós da organização estamos à sua disposição para dar todo e qualquer suporte a você durante sua permanência aqui na cidade, pode contar com todos nós, inclusive comigo!

A programação foi toda pensada para que discutíssemos profundamente a filosofia, ação e legado do PET, mas sem deixar de lado os campos de conhecimento/trabalho da engenharia civil. Independentemente de qual seja a sua maior aptidão na engenharia, com certeza o evento será de enorme valor tanto para a engenheira civil Gabriela quanto para a petiana Gabriela.

Estou no PET desde julho de 2014 e, durante esses quase 3 anos de grupo, eu tenho me apaixonado cada vez mais pelo programa. Não sei muito bem qual o contexto do seu PET, mas aqui em Fortaleza, ser petiano é ter um diferencial no meio de um mar de gente, é ter mil coisas pra fazer na semana de provas, é abrir mão das férias, do sono e, algumas vezes, da própria opinião. Ser petiano é correr pra chegar na hora, é viver cheio de reuniões, é comer apressado é, muitas vezes, nem comer. Ser petiano é viver rodeado de gente, é ter muitos amigos por perto (pelo menos 12), é ter altas resenhas. Ser petiano é carregar no peito a missão de fazer a diferença, de transformar a vida de algumas pessoas e levar engenharia para quem ainda não sabe bem o que quer da vida. Ser petiano é ser profissional de valor, é carregar valores no peito, valores que podemos revolucionar a nossa história e a história da nossa sociedade. Ser petiano é estar em plena construção, em constantes reparos, retoques que farão de nós pessoas excelentes. PETiano estudante de Engenharia Civil não para nunca!! PET Civil não para!

Por fim, te desejo mais uma vez as boas vindas à Fortaleza e espero profundamente que esse evento te ajude nessa formação de profissional de valor (com bons valores bem sedimentados), capaz e desejosa de fazer a diferença em seu meio e instigado a, no mínimo, tentar mudar a vida das pessoas por meio da atuação no PET e, mais que isso, por meio da Engenharia.

É isso aí, tenha um bom evento! Seja muito bem-vinda à terra do sol!

Abraçãão!!

Laio Guimarães – PET Civil UFC



É, Laio, o que dizer? Foi TOP!!!

E que venha o V CONPET!!! #ouropretei

 

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Laio (PET Civil UFC) com grupo PET Civil UFJF.

 

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Foto oficial com camisa do evento – IV CONPET CIVIL.

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Como elaborar Laudos Técnicos de Inspeções Prediais

Após a ocorrência de inúmeros acidentes em edificações, seja por falta de manutenção, obras sem acompanhamento técnico e/ou ausências de vistorias periódicas, várias cidades já apresentam em suas legislações a obrigatoriedade de realizar, de tempos em tempos, uma Inspeção Predial denominada Laudo Técnico, a ser elaborado por um profissional capacitado.

 

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Figura 01: Desabamento de dois edifícios no centro da cidade do Rio de Janeiro. De acordo com a polícia que investigou o caso, o que provocou o desabamento foi uma reforma mal executada.

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Figura 02: Acidente no Edifício Senador Derla Cardoso na cidade de São Bernardo do Campo – De acordo com laudo técnico, o acidente foi provocado por falha na impermeabilização da cobertura.

 

A elaboração de um laudo técnico exige do profissional muita propriedade no que ele observa, analisa e descreve. A observação deve ser crítica e sucinta para que não passe despercebido algum ponto de relevância. Para respaldar as análises, muitas vezes se faz necessário o emprego de ensaios tecnológicos, algo que o perito deve orientar e interpretar.

Além disso, soluções para os problemas encontrados necessitam serem relatadas considerando a segurança das construções e dos usuários, a qualidade dos procedimentos, o emprego de materiais adequados e a economia para o cliente, indicando o melhor custo benefício para o mesmo. Visto a responsabilidade deste profissional, é de suma importância que eles estejam sempre atualizados com as técnicas aplicadas, materiais e equipamentos utilizados no mercado, e com as normas e leis que regulamentam este trabalho.

 

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Figura 03: Modelo de Laudo Estrutural – DISA Engenharia & Consultoria.

 

A NBR 13752 – Perícias de Engenharia na Construção Civil é o documento que regulamenta as inspeções nas edificações. O objetivo da norma é orientar ao perito quais são as diretrizes, conceitos, critérios e procedimentos para a elaboração do parecer técnico. Neste sentido, o profissional que elabora o laudo tem por obrigação transcrever um relatório claro e objetivo, a partir dos pontos observados e de sua finalidade proposta.

 

Componentes para a elaboração de um Laudo Técnico:

INTRODUÇÃO

– Descrição da construção indicando suas características construtivas, idade, endereço, grau de agressividade do local onde ele se encontra, além de informações relevantes identificadas pelo perito;

– Classificação do objeto da inspeção;

– Croqui de situação.

– Data

DESENVOLVIMENTO

– Determinação e descrição dos eventuais danos, sinistros, anomalias, pontos relevantes, classificação de grau de risco, urgência de reparo;

– Determinação do padrão construtivo;

– Determinação do estado de conservação geral.

CONCLUSÃO

– Resultados de análises;

– Recomendações;

– Relação de documentos consultados;

– Medidas preventivas e corretivas;

– Assinatura do responsável técnico, número de registro, data e local.

ANEXOS

– Fotografias em número adequado demonstrando as condições da construção;

– Cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART);

– Plantas, croquis, e outros documentos relevantes.

 

O profissional que interessa por esta área tem a possibilidade de fazer cursos de perícias e laudos, oferecidos por diversas universidades e escolas de cursos. É importante verificar a instituição e sua idoneidade, ementa do curso e o professor que irá lecionar, antes de iniciar sua especialização.

A remuneração deste profissional varia conforme a região, características da construção como área, dificuldade de acessos, insalubridade, complexidade e a experiência do profissional. De acordo com o Instituto Mineiro de Engenharia Civil a hora técnica custa em média R$220,00, acrescidos os gastos indiretos na elaboração do laudo.

Apesar de já existirem leis e normas que obrigam as inspeções prediais, ainda existe um desafio muito grande de conscientização. Os proprietários de imóveis, síndicos e zeladores precisam ter ciência de que as construções não são eternas, e que cuidados, manutenções e avaliações são tão importantes quanto os cuidados que necessitamos ter com nossa saúde.

 

COM VOCÊS, O ESCRITOR. NOSSO QUERIDO PETIANO RAIZ:

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Renato Santos,

Engenheiro Civil, especialista em Engenharia Econômica e consultor em Recuperação de Estruturas. Diretor da DISA Engenharia e Consultoria.

 

 

 

Fontes:

CREA-BA – Norma de procedimentos para elaboração de Laudos de Inspeções Prediais

NBR 13752 – Perícias de Engenharia na Construção Civil

Modelo de Laudo Técnico – DISA Soluções de Engenharia e Consultoria

IMEC – O portal do engenheiro

G1 – Queda de prédio no centro do Rio

 

 

 

 

O que esperar de um mestrado acadêmico na Engenharia?

Formamos. “E agora?”

Na colação de grau, quando um parente disse à minha amiga: “Parabéns, você é uma engenheira!”, a resposta foi: “engenheira não, eu sou é desempregada…” [sorrisos amarelos]

Infelizmente, essa é a realidade de grande parte dos jovens brasileiros atualmente. Na falta de alternativas, eles passam a considerar uma opção que até então não parecia atrativa: dar prosseguimento ao que eles sabem fazer – estudar – ingressando em um mestrado acadêmico de 2 anos.

A bolsa não é de todo ruim: R$1.500 para quem tinha perspectiva de R$0, é algo. Em algumas cidades, esse valor cobre razoavelmente o custo de vida, mas não sobra nada no fim do mês, é fato. Por outro lado, se você considerar que vários empregos iniciais estão nessa faixa de salário, R$1500 para investir na sua própria qualificação, com direito a carteirinha de estudante por mais alguns anos, começa a tornar o cenário positivo.

Para concorrer seriamente à bolsa, são 2 os principais quesitos objetivos avaliados por uma banca de seleção: participação em projetos de pesquisa durante a graduação (se tiver publicação, você tem grandes chances de passar na frente) e ter um bom Coeficiente de Rendimento (a média das notas da graduação). Inglês avançado é desejável, e as cartas de recomendação são um quesito subjetivo importante, podendo ser utilizadas em caso de desempate.

Se você tem interesse de seguir nessa área, comece a providenciar estes itens o quanto antes, pois eles levam tempo. E a cada ano, com as vagas no mercado cada vez mais limitadas, cresce a concorrência para o mestrado.

Então, de posse do seu Currículo Lattes, que você floreou o quanto deu, você se inscreveu, passou, parabéns!

Assim, no início você cai no que eu chamo de graduação parte II – sala de aula, disciplinas, provas, tudo aquilo que já tivemos o suficiente. Mas as expectativas são altas: você espera avaliação de casos reais, projetos, desafios empresariais. E aí entra a frustração: quase todas as disciplinas são teóricas. Em geral, o que se vê é um aprofundamento dos conceitos vistos na graduação.

Fato #1: mestrado acadêmico não é uma qualificação direta para o mercado.

Esses conceitos são então aplicados em projetos de pesquisa, desenvolvendo aspectos bem especializados de problemas de engenharia. Em uma analogia com a engenharia civil: você não vai dimensionar uma viga – você vai desenvolver um processo para calcular essa viga melhor do que as ferramentas atuais (ex. mais rápido, mais realista, mais otimizado…).

Para isso, são necessários meses de estudo dos processos atualmente utilizados, das propriedades da viga, do comportamento mecânico do modelo adotado, o desenvolvimento de um algoritmo de cálculo compatível com os métodos atualmente utilizados, o teste da sua ferramenta, a correção de erros e então… ufa – está pronto o seu projeto.

Fato #2: o mestrado te ensina a gerenciar projetos e solucionar problemas como ninguém (individualmente).

A sua bolsa – logo, o seu tempo de realização do projeto – é limitada. Você tem 24 meses para entender praticamente tudo sobre um assunto, desenvolver as diversas etapas do projeto, corrigir erros, começar de novo, elaborar uma dissertação e apresentá-la para profissionais que entendem tanto ou mais do que você sobre o seu trabalho, e que vão julgá-lo rigorosamente.

No fim dessa etapa, [espera-se] você tem amplo domínio de uma área relevante da engenharia, conhece seu ritmo de trabalho e estudo, foi capaz de planejar as etapas de seu projeto e realizá-lo dentro do prazo, e finalmente, passou pelo crivo de profissionais qualificados.

 

Fato #3: fazer o mestrado acadêmico não quer dizer que você necessariamente deva seguir pela área acadêmica.

Após o mestrado, você será um profissional mais maduro e consciente de suas próprias habilidades, bem como das ferramentas disponíveis na resolução de problemas. Essa é uma das razões pelas quais as empresas brasileiras estão gradualmente passando a valorizar profissionais com mestrado (porque as estrangeiras já o fazem há décadas). Embora o doutorado na área de tecnologia seja outra história por enquanto…

Na área acadêmica, eu gosto de pensar que nós resolvemos os problemas do mundo: otimização de recursos, reuso de rejeitos, desenvolvimento de novas tecnologias, melhor compreensão de mecanismos… enquanto boa parte do setor privado está ocupadíssima em causar estes problemas.

Após trabalhar em empresas privadas, na qual meu suor não era valorizado e certamente não se convertia em ganho financeiro [para mim], eu optei pela carreira acadêmica. Deixei de lado uma proposta de emprego e os processos seletivos para trainee e me preparei para encarar sala de aula, muita leitura e baterias de ensaios experimentais.

Antes de tomar essa decisão, me informei bem sobre o assunto com professores de confiança, e já sabia o que me esperava: mais 6 anos de estudo ganhando bolsas, aprender e dar aulas até o fim da vida, salários inferiores ao de colegas no mercado, todos os entraves do serviço público… não ter chefes no seu cangote, pesquisar dentro dos temas que você gosta, mudar de área quando bem entender, desenvolver tecnologias para seu país e, por fim, [contribuir para] salvar o mundo.

 

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Espero que esse artigo ajude na sua decisão também. É muito triste ver colegas que estão no mestrado porque “não tinham outra opção”, ou chegam aqui esperando aprender ferramentas de mercado e dão de cara com equações, algoritmos e provas. Mas por experiência própria: isso passa logo, e a realização de ver o seu projeto tomando forma não-tem-igual.

Com planejamento e metas, é possível realizar um projeto de qualidade, fazer contatos, e ser valorizado tanto pelo mercado quanto pelo meio acadêmico. Essa é a carreira que eu decidi seguir. Reflita bem se esse é o seu perfil e, se estiver preparado, bem-vindo ao clube!

 

COM VOCÊS, A ESCRITORA. NOSSA QUERIDA PETIANA RAIZ:

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Júlia Castro Mendes,

Pesquisadora, professora e doutoranda em Engenharia Civil.

Na jornada para salvar o mundo, gosto de escrever sobre desenvolvimento pessoal para jovens profissionais.

Esse post foi originalmente publicado no meu LinkedIn.

O Maior Túnel do Brasil

Túnel Prefeito Marcello Alencar

Maior Túnel Subterrâneo do Brasil

Após 3 anos e 8 meses de obras, foi inaugurado, em 19 de junho de 2016, o maior túnel urbano subterrâneo do Brasil: o Túnel Prefeito Marcello Alencar. Com uma extensão de 3382 metros, o túnel atravessa os bairros Centro, Gamboa e Saúde, na Zona Central da cidade do Rio de Janeiro. Possui duas galerias destinadas ao tráfego de veículos, a galeria Continente, no sentido Zona Sul, e a galeria Mar, no sentido Caju, que possuem três vias e ligam a Ponte Rio-Niterói e a Avenida Brasil com o Aterro do Flamengo. Tal nome é uma homenagem ao ex-prefeito da cidade e ex-governador do estado Marcello Alencar, responsável por ações marcantes em seus mandatos.

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O plano inicial seria demolir parcialmente o Elevado da Perimetral, substituindo-o por um mergulhão. Entretanto, o então Prefeito Eduardo Paes anunciou, em novembro de 2011, a sua demolição total e a construção de um túnel que sucederia a Perimetral em conjunto com a Avenida Rodrigues Alves. A partir daí, o Túnel da Via Expressa – como foi chamado a priori – começou a ser escavado em outubro de 2012 para substituir o antigo Elevado, derrubado em 2014, por ter ultrapassado sua capacidade de tráfego, além de interferir no plano de revitalização da Zona Portuária. O túnel foi construído nos arredores do Porto Maravilha e sua principal função é escoar o tráfego entre a Avenida Alfred Agache e a Avenida Rodrigues Alves.

Implosão da Perimetral

Implosão do Elevado da Perimetral

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Cada galeria tem capacidade para receber 55 mil veículos por dia. Apenas ônibus executivos municipais e intermunicipais podem trafegar pela via (sem paradas) e é proibida a circulação de caminhões. Com o túnel, diminui-se consideravelmente o volume de circulação nos chamados “horários de rush”.

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O túnel conta com 16 conjuntos de balizadores indicando a condição do trânsito de cada faixa, 105 câmeras (72 fixas e 33 móveis), 12 PVM’s fixos e sensores de visibilidade.

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O túnel Prefeito Marcello Alencar é, atualmente, o maior túnel do Brasil, sendo o maior do mundo o de Lærdal, na Noruega, com 24,5 quilômetros de extensão. Isso tudo indica que o Brasil ainda tem muito a crescer na área de Engenharia Geotécnica, mas que já deu um grande passo para as obras de terra.

Fontes: Concessionária Porto NovoG1Porto MaravilhaPrefeitura do Rio de JaneiroYouTube

CoolSeal

O CoolSeal, ou em tradução literal para o Português, ‘selo fresco’, se refere a uma pintura aplicada sobre o asfalto, de cor cinza claro, que busca mitigar os efeitos das ‘ilhas de calor’ que acabam por aumentar a temperatura nas cidades que sofrem com a grande urbanização.

Essa tecnologia se baseia no princípio da reflexão dos raios solares na área infravermelha do espectro da luz, a qual não podemos ver e, com isso, o calor que antes era absorvido pelo asfalto com uma eficiência de quase 90%, esquentando o ar na região próxima, passa a ser refletido pela camada de pintura.

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A cidade de Los Angeles, no estado americano da Califórnia, que nos últimos anos vem sofrendo com as altas temperaturas, pode ser considerada a pioneira na aplicação dessa tecnologia. Cercada por um deserto, com quilômetros e mais quilômetros de estradas asfaltadas além da pouca vegetação, a cidade americana vem colocando em prática o projeto piloto, denominado Cool Paviment (ou asfalto fresco), que consiste na aplicação da tinta sobre os asfaltos da cidade.

Com essa medida, o prefeito da cidade, Eric Garcetti pretende reduzir a média de temperatura em dois graus Celsius dentro dos próximos vinte anos. Ainda que em fase de teste, a aplicação do CoolSeal em alguns bairros de Los Angeles proporcionou resultados animadores, com diminuição de até nove graus na temperatura ao redor das áreas em que a camada de pintura foi aplicada.

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Estudos com relação ao custo x benefício do material ainda estão sendo realizados. Sabe-se que para cada uma milha (cerca de 1,6 quilômetros) de asfalto revestido com o material tem um custo de US$ 40 mil, com durabilidade de sete anos. Além disso, em entrevista à BBC Mundo, Alan Barreca, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) defende que o CoolSeal se apresenta como uma alternativa para aqueles que não têm condições de manter um ar condicionado em casa, fazendo com que o asfalto fresco se apresente como uma opção que beneficiará a todos, independentemente da fonte de renda.

“Há evidências de que o calor extremo pode ser mortal […]. Se 160 km de pavimento podem evitar a morte de uma única pessoa, vale a pena instalá-lo. E isso se só focarmos em salvar vidas. O calor extremo tem um efeito também nas hospitalizações, na saúde infantil e até na fertilidade[…]. Levando em conta todos esses fatores, acredito que os benefícios do asfalto fresco superam os custos. Mas precisamos esperar para ver se isso é confirmado”, complementa o professor.

Vale a pena ressaltar que a tecnologia aplicada no CoolSeal foi inicialmente desenvolvida por uma empresa americana, com base no estado da Califórnia, especializada em cobertura para asfalto a pedido do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O objetivo era pintar as pistas de decolagem dos aviões buscando reduzir a temperatura das mesmas, para que assim satélites espiões que utilizassem tecnologia infravermelha não conseguissem localizar as bases americanas.

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No que se refere ao produto aplicado nas ruas de Los Angeles, ele se difere daquele desenvolvido para o Departamento de Defesa americano por sua capacidade de refletir ainda mais os raios solares, ou seja, por sua maior eficiência.

Desde que o projeto desenvolvido na metrópole americana ganhou visibilidade, a empresa responsável pela fabricação do CoolSeal passou a receber questionamentos buscando maior conhecimento a respeito do produto de diversos países, incluindo China, Israel, Austrália e Arábia Saudita.

Fonte: Veja, Washington Post, LA Times, Futurism, Horizonte, BBC