O tênis que foi pego no Doping

Durante a temporada 2008-2009 da NBA, liga norte-americana de basquetebol, uma novidade tecnológica gerou polêmica ao ser proposta pelos jogadores do tradicional time Boston Celtics para uso em plena reta final de temporada, a novidade tratava-se dos tênis APL(Athletic Propulsion Labs) Concept 1, Protótipo criado pelos gêmeos Adam e Ryan Goldston que continha em sua estruturação um sistema de propulsão que aumentaria o desempenho dos atletas, fazendo com eles pulem mais alto e também corram mais rápido com menor esforço. O protótipo foi vetado na época por violar a regra de competitividade da liga, sendo considerado um esteróide em forma de calçado por fornecer uma significativa vantagem a favor de quem os usa,  impulsionando assim a discussão de como a tecnologia poderia ser utilizada a favor do atleta sem prejudicar a competição.

 

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Foto do protótipo APL(Athletic Propulsion Labs) Concept 1

 

 

Jump Higher Shoes 1

 

 

O tênis gera um aumento de cerca de 9 cm no alcance  vertical do atleta

 

Qual a tecnologia por trás do tênis ?

O tênis  utiliza um dispositivo de propulsão na parte mais a frente da sola chamado Load ‘N Launch, que consiste em um sistema de molas que quando pressionado pelo atleta,  “carrega”(Load) a força exercida por ele e em seguida libera (Launch) em forma de energia elástica, aumentando o impulso do atleta e consequentemente melhorando sua performance.

 

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sistema de propulsão “Load ‘N Launch”, constituído de 6 molas grandes e duas pequenas.

 

 


Imagem relacionada

propaganda mostrando  a performance com e sem o tênis.

 

Vídeo do canal What’s Inside abrindo o produto.

 

Questão da tecnologia no esporte

A questão levantada com a proibição foi de como não afetar a competição com os novos produtos. Não há como evitar que as tecnologias comecem a fazer parte da vida dos atletas e é cada vez maior o número de pesquisadores que dedicam suas carreiras a criar dispositivos e materiais para auxiliar na vida de atletas, sejam eles amadores ou profissionais. O intuito desse tênis seria permitir que as pessoas saltem sem forçar tanto a musculatura e as articulações, o que já foi suficiente pra considera-lo um potencializador  de performance. Então como as novas tecnologias e materiais  se adequariam ?  Parece que por fim a questão não foi um grande impecílio uma vez que a indústria esportiva gerou novas tecnologias para alta performance dos atletas , que focavam na estabilidade, conforto, segurança e ainda se adequavam as condições das ligas profissionais , e um exemplo disso é a tecnologia BOOST, que domina o mercado desde 2013 com empresas como Adidas e PUMA.

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Adidas Energy BOOST: Exemplo de inovação tecnológica sem restrições de uso nas ligas esportivas.

Cursos de engenharia no processo criativo

A engenharia é de suma importância no processo de desenvolvimento e produção das inovações no mundo do esporte. O processo tanto criativo quanto produtivo passam pela mão de engenheiros, e essa necessidade de uma mão de obra qualificada e empreendedora  faz com que empresas gigantes do ramo esportivo procurem parcerias em polos educacionais  para desenvolver seus produtos, como é o caso da Nike, que em 2016 firmou uma parceria com a universidade de Denver(EUA) para desenvolvimento de novos designs para seus produtos da linha de basquetebol.

 

Vídeo explicando a parceria da Nike com a DU (University of denver)

 

Nessa parceria, alunos de engenharia mecânica e elétrica  foram designados para projetar calçados com maior estabilidade, conforto e menor risco de contusões, respeitando a regra de competitividade das ligas profissionais.  E pra isso contam com alguns dos equipamentos de radiografia e captura de movimentos mais avançados do mundo, podendo assim fazer análises de força e movimento milimétricas e trabalhar juntando a paixão pela engenharia com a paixão pelo esporte.

Student pointing at computer screen

estudantes trabalhando em novas tecnologias da Nike

 

Que fim levou a marca ?

Ao contrario das outras marcas, a APL não adaptou seu produto para que pudesse ser utilizado, assim, seu banimento foi oficializado pela NBA na temporada 2010-2011, porém , diferentemente do que se esperava, os irmãos Adam e Ryan Goldston tiraram bom proveito da situação e as vendas do tênis dispararam com a proibição,com a empresa tendo seus estoques liquidados em pouquíssimo tempo . Utilizando o banimento como estratégia de marketing eles lançaram o slogan “Banned by the NBA” (Banido pela NBA)  e foram vendidos milhares de exemplares. Atualmente a empresa ainda se mantém no ramo com firmeza, explorando  o rótulo de alternativa.

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“Because of the NBA ban announcement, we are experiencing an enormous ammount of traffic” (Devido ao anúncio de banimento da NBA, estamos presenciando um tráfego enorme)

referencias :

https://www.tecmundo.com.br/internet/8574-como-funciona-o-apl-tenis-banido-pela-nba.htm

https://latimesblogs.latimes.com/sports_blog/2010/10/the-nba-is-prohibiting-its-players-from-wearing-a-new-line-of-sneakers-that-claims-to-increase-vertical-leapthe-nba-sa.html

http://bestadjustabledumbbellspro.com/how-to-increase-vertical-jump/best-exercises-for-jumping-higher/are-there-shoes-that-make-you-jump-higher/

https://melmagazine.com/en-us/story/sole-brothers

https://interestingengineering.com/video/this-is-what-is-inside-the-shoes-the-nba-banned-for-being-too-powerful?fbclid=IwAR1q-R7Dsma7YkI96R3NsIDnxOpJQTcsuWLu39xgBltc80n2TQ2xa0HVLts

https://www.du.edu/news/nike-and-du-improving-future-performance-footwear

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O País de Ontem

Quando se orça um empreendimento em duas empresas e a única diferença é que uma irá entregar o projeto a ser executado em três meses e a outra em um ano, qual a sua resposta? Continuar lendo

Os principais modelos de mobilidade urbana no mundo

Mobilidade urbana é a forma e os meios utilizados pela população para se deslocar dentro do espaço urbano. Para avaliar a mobilidade urbana é preciso levar em conta fatores como: organização do território, fluxo de transporte de pessoas e mercadorias e os meios de transportes utilizados.

Devido ao grande índice populacional, em algumas cidades brasileiras a mobilidade urbana é considerada um dos principais desafios de gestão na atualidade, já que, juntamente ao crescimento da população, ocorre o aumento do número de pessoas que utilizam transporte individual para se locomoverem. Entre os fatores que demonstram o fracasso desse meio de transporte estão os engarrafamentos e a poluição do meio ambiente. Hoje, esses fatores são comuns nas principais cidades do Brasil. A frota de automóveis brasileira cresceu 400% em dez anos, conforme dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas), numa pesquisa realizada em 2016. Outro dado preocupante é que cidades com São Paulo e Rio de Janeiro não apresentaram o mesmo índice de aumento na construção de transportes alternativos e coletivos, como o metrô de superfície no mesmo período, opções de transporte que são alternativas menos agressivas que o transporte individual.

BICIXCOCHES

O estímulo ao transporte não motorizado é um dos traços que caracteriza as melhores cidades do mundo em mobilidade. Além disso, a implantação de sistemas que priorizam a integração entre os modais faz com que o trânsito seja mais fluido e prático, com conexões reais entre os diferentes meios de transporte.

Em Berlim, capital da Alemanha, a diversidade de modais disponíveis e a facilidade de acesso é a principal característica da mobilidade urbana. Lá, trens, ônibus, metrôs, carros e bicicletas circulam em harmonia. Cerca de 13% das rotas são feitas de bicicleta, e a preferência pelo transporte público aumenta a cada ano. Entre 2001 e 2011, o número de usuários do transporte público cresceu mais de 20%. Um dos componentes importantes das políticas públicas de Berlim para o transporte tem sido o planejamento das vias para bicicleta e pedestres. A cidade construiu mais de 1000 quilômetros de ciclovias e o número de ciclistas aumentou mais de 40% entre 2004 e 2012. Em média, moradores de Berlim andam ou pedalam em 40% das suas viagens. Outra importante iniciativa da cidade alemã são os projetos de carros elétricos. Desde 2012, Berlim tem investido na tecnologia, e conta com 7,9 mil veículos elétricos, e mais de 500 estações de carga de energia espalhadas pela cidade.

Outro exemplo de sucesso na questão da mobilidade urbana é a cidade de Hong Kong, principal centro de negócios e turismo da Ásia. A cidade conta com um dos sistemas de mobilidade urbana mais bem organizados e eficientes do continente. Por dia, são aproximadamente 12,6 milhões de viagens feitas de transporte público. O que faz os deslocamentos serem eficientes é o sistema MTR (Mass Transit Railway), reconhecido como um dos mais eficazes do mundo. Espécie de linha de trem super rápida, serve às áreas urbanizadas de Hong Kong e localidades próximas, sendo o meio de transporte mais popular da região, com cerca de 5 milhões de viagens diárias. O MTR tem aproximadamente 218,2 quilômetros de extensão, com 159 estações. A eficiência no tempo dos trajetos também conta pontos para a cidade: estimativas apontam que os trechos são feitos dentro do horário estimado em 99% dos casos.

Hong Kong Tram

Mais um exemplo é a capital da Inglaterra. Londres é uma cidade pioneira em mobilidade: implantou o primeiro túnel submarino, o primeiro aeroporto internacional e a primeira rede ferroviária subterrânea do mundo, o London Underground, conhecido como The Tube. Hoje, o sistema de transporte da cidade é referência mundial por integrar metrô, trem, ônibus, bicicleta e táxis. O metrô de Londres tem mais de 400 quilômetros de extensão, e transporta cerca de 1,1 bilhão de passageiros por ano. A peça-chave desse sistema integrado são os Oyster Card, outra referência criada por Londres. O sistema de bilhetagem eletrônica permite que os moradores acessem os diferentes tipos de transporte com apenas um cartão. O Oyster dá acesso ao metrô, ônibus, trens e aos barcos que sobem e descem o Rio Tâmisa. Outra iniciativa adotada pela cidade foi o pedágio de congestionamento, que restringe a circulação de carros no centro. O objetivo é estimular o uso do transporte público e reduzir as emissões de carbono pelos veículos.

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Situado a cerca de 80 quilômetros de Londres, o condado de Cambridge tornou-se modelo de mobilidade urbana depois da implantação do sistema de transporte coletivo conhecido como BHLS (Bus with High Level of Service, que significa “Ônibus com Alto Nível de Serviço”), ou The Bushway. Instalados em 2011, os veículos desse tipo se diferenciam dos ônibus comuns por serem mais velozes e seguros. Construído no percurso de uma antiga ferrovia desativada, o modelo tem um sistema conhecido como “guided bushway”. O veículo é guiado por rodas de aproximação nas faixas exclusivas, o que permite que ele trafegue em velocidades com segurança. Além disso, foi construído de modo que os ciclistas possam utilizar ciclovias laterais ao seu trajeto. Nas principais estações, há locais para guardar a bicicleta e também estacionamentos para veículos, para quem quiser deixar o carro estacionado e seguir seu trajeto pelo BHLS. A infraestrutura oferece alta acessibilidade em todas as estações, o piso é nivelado à plataforma de embarque. Em horários de pico, a frequência é de um ônibus a cada 5 minutos.

No Brasil, pode-se destacar a cidade de Curitiba como um expoente no setor de mobilidade urbana. Há mais de 30 anos, a cidade criou corredores de ônibus de forma inteligente visando a valorização do transporte público. As inovações estratégicas de mobilidade urbana como a criação do ‘ligeirão’ (um ônibus cinza que não para em todos os pontos) e a construção de novos corredores de integração mantêm a cidade ainda como modelo da América, mas o baixo investimento nacional em novas tecnologias pode deixar todo o sistema para trás.

Além de uma mudança de cultura, é imprescindível o investimento tecnológico para melhoria dos sistemas de transportes urbanos do Brasil.

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Fonte: Gazeta do PovoG1E-Moving.